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Mundo • 20:20h • 22 de agosto de 2026

Brasil amplia regras para cannabis medicinal e logística entra no centro da segurança dos tratamentos

Novas regras da Anvisa para cultivo controlado estão em vigor desde 4 de agosto e ampliam exigências de rastreabilidade, monitoramento e controle ao longo da cadeia

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação

Nova fase da cannabis medicinal no Brasil exige controle do cultivo até a chegada ao paciente
Nova fase da cannabis medicinal no Brasil exige controle do cultivo até a chegada ao paciente

As novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o cultivo controlado de Cannabis sativa com finalidades medicinais, farmacêuticas e de pesquisa estão em vigor desde 4 de agosto. As RDC nº 1.012/2026 e nº 1.013/2026 estabelecem critérios técnicos, de segurança e rastreabilidade para empresas, universidades, institutos de pesquisa e associações de pacientes autorizados, abrindo uma nova etapa para um mercado que se aproxima de R$ 1 bilhão no Brasil e que agora enfrenta o desafio de estruturar também a distribuição dos produtos.

Segundo dados da plataforma Kaya Mind apresentados no material, o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025 e tem perspectiva de superar R$ 1 bilhão em 2026. Estudos citados apontam potencial de até R$ 9,5 bilhões caso obstáculos relacionados ao acesso, preço e preconceito sejam reduzidos.

Outra mudança com potencial de ampliar o acesso é a autorização para que farmácias de manipulação utilizem canabidiol (CBD) como insumo farmacêutico ativo. A expectativa apresentada é de redução de até 50% no custo dos tratamentos, cenário que pode ampliar a procura e, consequentemente, aumentar o volume de produtos circulando entre fabricantes, farmácias e pacientes.

Da produção ao paciente, rastreabilidade ganha importância

A regulamentação do cultivo representa apenas uma parte desse processo. Com uma cadeia nacional maior, crescem também as exigências relacionadas ao caminho percorrido pelos insumos e medicamentos até chegarem ao consumidor.

As novas normas estabelecem sistemas permanentes de monitoramento, rastreabilidade e critérios para o manuseio. O avanço coloca atenção sobre uma etapa menos visível do mercado de cannabis medicinal: a infraestrutura necessária para preservar origem, qualidade e integridade dos produtos durante sua movimentação.

Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, empresa que atua há três anos no segmento de cannabis medicinal, avalia que o setor terá de acompanhar o aumento das exigências. “O fármaco não é diferente de qualquer outro, ele precisa chegar ao paciente com a mesma garantia de origem, qualidade e integridade”, afirma.

Farmácias de manipulação ampliam a cadeia

A entrada das farmácias magistrais na produção de formulações à base de CBD acrescenta uma nova frente ao mercado. Com mais estabelecimentos envolvidos na preparação dos produtos, aumenta também a necessidade de organizar armazenamento, acondicionamento, documentação sanitária e transporte de acordo com as características de cada formulação.

Esse movimento ocorre enquanto parte dos insumos do segmento ainda circula por serviços convencionais de entrega expressa ou pelos Correios, segundo as informações apresentadas. A expansão da produção nacional tende, portanto, a exigir uma estrutura logística capaz de acompanhar o crescimento do mercado e os controles previstos na regulamentação.

Canteras compara o cenário ao avanço recente de outros produtos manipulados, que provocaram aumento rápido da procura por operações especializadas. Para ele, empresas envolvidas na cadeia precisam se preparar antecipadamente para o crescimento da demanda e para os novos requisitos regulatórios.

Mercado pode ganhar escala nos próximos anos

Com a possibilidade de produção nacional, participação das farmácias de manipulação e novas regras para cultivo, o setor entra em uma fase diferente daquela marcada principalmente pela dependência de produtos e insumos vindos do exterior.

A Temp Log, que informa possuir mais de 35 anos de atuação no transporte de mercadorias farmacêuticas de alto valor agregado e cobertura superior a 2.500 municípios, acompanha esse movimento e projeta aumento da demanda logística relacionada à cannabis medicinal nos próximos meses.

A dimensão desse crescimento dependerá não apenas da capacidade de produção. Se as projeções de expansão e redução dos custos se confirmarem, rastrear os produtos e preservar suas condições durante todo o percurso até o paciente passa a integrar os desafios de um mercado que busca ganhar escala sem reduzir os controles sanitários.

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