Ciência e Tecnologia • 17:04h • 07 de maio de 2026
Brasil avança em projeto de 'gêmeo digital' do oceano para monitorar o Atlântico Sul
Iniciativa reúne especialistas para integrar dados e aprimorar previsões sobre clima, biodiversidade e economia azul
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil deu mais um passo no desenvolvimento de sistemas avançados de monitoramento oceânico ao promover, na segunda-feira (4), o workshop internacional Data to Decision: Towards a Digital Twin Ocean Platform for the South Atlantic. A iniciativa integra o projeto global de Gêmeo Digital do Oceano, que propõe a criação de uma representação virtual de alta resolução baseada na combinação de dados observacionais, modelagem numérica e simulações preditivas.
O objetivo é ampliar a capacidade de prever fenômenos oceânicos, monitorar mudanças ambientais e responder com mais eficiência a eventos extremos. O encontro foi organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a organização europeia Mercator Ocean International.
Durante a abertura, o diretor-geral do Inpo, Segen Estefen, destacou que o projeto busca aproximar a produção científica da aplicação prática. A proposta é desenvolver uma plataforma colaborativa que conecte infraestrutura de dados, modelos computacionais e usuários finais, com base nas demandas reais de uso.
Ao longo do dia, especialistas discutiram tanto o panorama de sistemas oceânicos digitais já existentes quanto aspectos técnicos relacionados à previsão oceânica e às necessidades dos usuários. Também foram apresentadas iniciativas brasileiras e oportunidades de cooperação internacional.
De dados a decisões
Um dos principais desafios apontados no workshop é transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a tomada de decisão. A proposta do gêmeo digital vai além de armazenar dados: pretende criar uma plataforma capaz de simular cenários e antecipar impactos.
Na prática, isso permitirá prever eventos extremos com maior antecedência, monitorar o deslocamento de espécies marinhas, apoiar a navegação e operações offshore, além de orientar políticas públicas voltadas à adaptação climática.
A Marinha do Brasil ressaltou seu papel na coleta e organização de dados oceanográficos, mas destacou a necessidade de avançar na integração e no compartilhamento dessas informações. Entre as aplicações possíveis da tecnologia estão a previsão de tempestades e ciclones, o monitoramento de vazamentos de óleo, o acompanhamento de mudanças na temperatura do mar e a análise de impactos econômicos, como os efeitos sobre a pesca.
A relação entre os oceanos e fenômenos climáticos, como o El Niño, também foi citada como exemplo da importância estratégica desse tipo de monitoramento.
A parceria com a Mercator Ocean International é considerada central para o avanço do projeto. A organização atua há décadas no desenvolvimento de sistemas de oceanografia digital, monitorando variáveis como temperatura, correntes, salinidade e oxigênio em escala global.
Segundo o diretor-geral da Mercator, Pierre Bahurel, o desafio atual é tornar os dados operacionais, transformando conhecimento em informação confiável e disponível no momento certo. Hoje, os sistemas da instituição integram dados de satélites, medições em campo e modelagem computacional, sendo utilizados por governos, empresas e pesquisadores em todo o mundo.
Nesse contexto, o Brasil é visto como um parceiro estratégico, especialmente pela relevância do Atlântico Sul no sistema climático global e pela capacidade científica já instalada no país. O workshop marca a implementação de um acordo firmado em 2025 e deve resultar em um plano de ação com metas concretas, com avanços previstos para serem apresentados na Conferência da Década do Oceano, em 2027, no Rio de Janeiro.
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