Ciência e Tecnologia • 14:10h • 07 de junho de 2026
Brasil avança em testes sem animais e ganha laboratório com reconhecimento internacional
Certificação aceita por países da OCDE permite que estudos pré-clínicos sejam realizados no Brasil com validade internacional, reduzindo custos e acelerando processos da indústria farmacêutica
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Engenharia de Comunicação | Foto: Divulgação
O desenvolvimento de um novo medicamento pode levar mais de uma década e exigir investimentos bilionários antes de chegar aos pacientes. Em meio à busca por processos mais rápidos, seguros e alinhados às novas exigências científicas, o Brasil passou a integrar um grupo restrito de países capazes de realizar testes pré-clínicos com reconhecimento internacional, utilizando métodos laboratoriais que reduzem a dependência de experimentação animal.
A mudança ocorre após a certificação da Crop Labs em Boas Práticas de Laboratório (BPL), acreditada pelo Inmetro. Com isso, os estudos realizados pela empresa passam a ter aceitação em países signatários da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), permitindo que dados produzidos no Brasil sejam utilizados em processos regulatórios internacionais.
Na prática, farmacêuticas, centros de pesquisa e desenvolvedores de vacinas podem realizar etapas importantes do desenvolvimento de produtos dentro do país, sem a necessidade de enviar amostras e estudos para laboratórios estrangeiros.
Testes em células humanas ganham espaço na pesquisa
Os chamados testes in vitro são realizados a partir de células cultivadas em laboratório, em condições que simulam diferentes respostas do organismo humano. Esse modelo permite avaliar segurança, eficácia e mecanismos de ação de medicamentos e outras tecnologias em saúde antes do avanço para fases mais complexas de desenvolvimento.
Segundo Aruã Prudenciatti, cofundador e diretor de Operações da Crop Labs, o reconhecimento internacional representa um avanço importante para a cadeia de inovação brasileira.
Laboratório Crop | Imagem: Divulgação
Ele explica que os estudos funcionam como uma etapa decisiva para identificar, ainda nas fases iniciais, quais produtos possuem potencial para avançar e quais devem ser interrompidos antes de consumir investimentos ainda maiores.
Além da aplicação em medicamentos, os ensaios também vêm sendo utilizados em áreas como terapias avançadas, cosméticos e produtos de higiene, acompanhando uma tendência global de ampliação dos métodos alternativos à experimentação animal.
Estrutura nacional pode reduzir custos e burocracia
A certificação também traz impactos econômicos para empresas brasileiras e estrangeiras interessadas em desenvolver produtos no país. Com os estudos realizados localmente, é possível reduzir despesas logísticas, custos relacionados à variação cambial e parte da burocracia envolvida em processos internacionais.
A expectativa é que esse movimento fortaleça a competitividade do setor farmacêutico nacional e amplie a participação do Brasil em projetos globais de pesquisa e desenvolvimento.
Laboratório Crop | Imagem: Divulgação
Em 2025, a Crop Labs realizou cerca de 550 estudos de segurança e eficácia. Para 2026, a projeção é alcançar aproximadamente 800 avaliações, impulsionadas pelo aumento da demanda e pelo reconhecimento obtido junto à OCDE.
Menos dependência externa e mais inovação
Especialistas avaliam que a ampliação da capacidade de realizar testes reconhecidos internacionalmente dentro do país representa um passo importante para o fortalecimento da pesquisa científica nacional. Além de acelerar o desenvolvimento de novos produtos, a estrutura contribui para reduzir a dependência de centros internacionais em etapas consideradas estratégicas para a inovação farmacêutica.
O avanço também ocorre em um momento em que diferentes mercados ampliam a adoção de métodos alternativos aos testes em animais, especialmente em áreas como cosméticos e produtos de consumo, impulsionando novas tecnologias baseadas em modelos celulares e biologia molecular.
Para o setor, a capacidade de validar, aprovar ou interromper projetos com maior precisão continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar a eficiência da pesquisa e reduzir riscos ao longo do desenvolvimento de novos tratamentos.
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