Saúde • 11:35h • 22 de janeiro de 2026
Brasil avança para produzir genéricos de semaglutida após queda de patente
Preços devem cair cerca de 40% e ampliar o acesso a tratamentos para diabetes e obesidade
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Após o fim da patente da semaglutida em 20 de março, laboratórios brasileiros se preparam para iniciar, já em abril, a produção das versões genéricas e similares dos medicamentos Ozempic e Wegovy, amplamente buscados por seus efeitos na perda de peso. Até o momento, a Anvisa recebeu ao menos 13 pedidos de registro para produtos à base da substância, dois deles sob análise acelerada a pedido do Ministério da Saúde.
A expectativa do mercado é de que a concorrência faça os preços caírem cerca de 40%, segundo estimativa da UBS Banco do Brasil Corretora. Se essa projeção se confirmar, a caneta de semaglutida, que atualmente custa por volta de 1.100 reais, poderá ser encontrada por menos de 700 reais até o fim do ano.
Para Nelson Mussolini, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, a tendência de redução é inevitável conforme mais fabricantes disputam espaço. Ele ressalta, porém, que a liberação dos registros depende da comprovação rigorosa de equivalência terapêutica em relação ao medicamento de referência, etapa fundamental para garantir a segurança e a eficácia das novas versões.
A possível queda nos preços reacende o debate sobre a entrada da semaglutida no Sistema Único de Saúde. A Conitec havia desaconselhado sua incorporação em 2023 devido ao alto impacto financeiro estimado, aproximadamente 8 bilhões de reais por ano. Contudo, com a chegada das versões genéricas, o custo pode tornar-se compatível com a rede pública.
O impacto financeiro é sentido diretamente pelos pacientes. A analista de comunicação Fernanda Carem, que utiliza o Wegovy para tratar diabetes desde o ano passado, relata que já desembolsou mais de 7 mil reais e enfrenta dificuldade tanto para encontrar o medicamento quanto para manter a continuidade do tratamento.
O Ministério da Saúde informou que ainda não há previsão para disponibilizar a semaglutida pelo SUS, mas que o governo acompanha o cenário de propriedade intelectual e a evolução do mercado para subsidiar futuras decisões de compra e incorporação tecnológica.
No setor privado, as projeções são de forte crescimento. As vendas de produtos contendo semaglutida podem alcançar 20 bilhões de reais neste ano, quase o dobro do estimado para 2025, refletindo a demanda crescente por terapias relacionadas ao controle glicêmico e ao manejo da obesidade.
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