Política • 09:15h • 16 de julho de 2026
Brasil enfrenta tarifaço dos EUA e anuncia contra-ataque comercial para proteger a economia nacional
Planalto diz que tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos não têm justificativa, anuncia medidas de reação e promete recorrer à OMC para contestar decisão e defender empresas brasileiras
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Arquivo/Âncora1
O governo federal reagiu de forma contundente à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada na quarta-feira (15), a Presidência da República classificou a medida como injustificada, afirmou que as investigações norte-americanas não têm respaldo nas regras internacionais e anunciou que iniciará imediatamente os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A nova tarifa foi anunciada pelo governo norte-americano com base em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer a partir de 22 de julho, próxima quarta-feira.
Governo chama decisão de marco negativo nas relações entre os dois países
Na nota oficial, o governo brasileiro afirma que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelos Estados Unidos e sustenta que não existe justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil.
O texto classifica o episódio como um momento histórico negativo para a relação bilateral.
"O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável", afirma a nota.
Segundo o governo, a resposta brasileira será baseada na Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, além da retomada do caso no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.
EUA apontam práticas comerciais e ambientais como justificativa
Na investigação, o USTR afirma que determinadas práticas brasileiras prejudicam agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores norte-americanos.
Entre os pontos levantados estão políticas relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Brasil rebate críticas ao Pix e à política ambiental
A resposta do governo brasileiro também contesta diretamente algumas das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos.
Em relação ao Pix, a nota afirma que as alegações são improcedentes e reforça que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos representa uma infraestrutura pública reconhecida internacionalmente.
O governo também rejeitou as críticas envolvendo a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento.
Segundo a nota, as acusações ambientais são "absurdas" e ignoram a redução registrada no desmatamento desde 2023.
Planalto cita dados do comércio entre os dois países
O governo brasileiro também utilizou números do próprio governo norte-americano para contestar a necessidade das novas tarifas.
Segundo a Presidência, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
Além disso, a nota destaca que, em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, enquanto a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos ficou em 3,1%.
Outro dado citado pelo governo é que, durante as audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 manifestações apresentadas por representantes do setor privado dos dois países foram contrárias ao aumento das tarifas.
Governo promete proteger empresas brasileiras e buscar novos mercados
No encerramento da nota, o governo afirma que continuará adotando medidas para reduzir os impactos da decisão norte-americana sobre empresas e trabalhadores brasileiros.
Também informou que pretende ampliar a diversificação dos parceiros comerciais e utilizar o Plano Brasil Soberano para proteger os setores afetados.
Segundo o texto, o objetivo é preservar empregos, manter a capacidade produtiva nacional e reduzir os efeitos das tarifas classificadas pelo governo brasileiro como ilegais e arbitrárias.
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