Educação • 14:47h • 03 de agosto de 2025
Brasil ignora a IA nas escolas e corre risco de aprofundar desigualdades educacionais
Enquanto outras nações ensinam inteligência artificial nas escolas, o Brasil segue sem diretrizes, formação docente ou infraestrutura adequada para a inclusão digital
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Moztarda | Foto: Arquivo/Âncora1
Enquanto potências como China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos integram a Inteligência Artificial (IA) ao currículo escolar, o Brasil permanece à margem dessa revolução tecnológica. A ausência de políticas públicas estruturadas, de formação docente e de infraestrutura básica compromete a capacidade do país de preparar estudantes para um futuro cada vez mais influenciado por algoritmos. O alerta é do autor e pesquisador Rafael Irio, especialista em IA aplicada à educação, que classifica a situação brasileira como um risco real de aprofundamento das desigualdades.
“Não há letramento em IA nas escolas públicas brasileiras, nem um debate público e estratégico sobre os impactos dessas tecnologias na formação de crianças e jovens”, afirma Irio. Para ele, a omissão do Estado se traduz em negligência. O Projeto de Lei 2.338/2023, em tramitação no Senado, propõe um marco legal para a IA no país, mas ainda carece de desdobramentos concretos no campo educacional. A proposta prevê a centralidade da pessoa humana no uso da tecnologia o que, na prática, significa valorizar o papel do educador, e não substituí-lo.
Rafael Irio destaca que a IA pode ser uma ferramenta poderosa no apoio ao ensino, desde que usada com responsabilidade. Para isso, é essencial oferecer formação crítica aos professores, que precisam compreender o funcionamento dos algoritmos, seus dados, riscos e limitações. Sem esse preparo, há o risco de transformar educadores em meros operadores de plataformas automatizadas. “A autonomia pedagógica deve ser preservada, assim como o direito à explicabilidade de sistemas que interferem diretamente na vida de estudantes”, pontua.
Outro ponto sensível envolve a privacidade de dados. Plataformas educacionais, muitas vezes operadas por empresas privadas, coletam informações sobre desempenho e até emoções dos alunos, sem transparência sobre o uso dessas informações. A falta de regulação pode levar à comercialização ou uso discriminatório desses dados, sem consentimento das famílias.
Irio defende a criação de um marco nacional de letramento em IA, que estabeleça parâmetros para o uso educacional da tecnologia, com foco em equidade, transparência e participação social. Ele ressalta que a IA não pode ser vista como substituta do pensamento crítico, da criatividade ou da ética, capacidades humanas que a máquina não possui.
“A escola deve formar cidadãos, não operadores de tecnologia. Precisamos ensinar o porquê, o quando e o com que consequências usar a IA. Não se trata de barrar a inovação, mas de garantir que ela sirva à democracia, à inclusão e ao desenvolvimento humano”, conclui.
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