Responsabilidade Social • 12:14h • 18 de janeiro de 2026
Brasil perde 6 mil piscinas de água tratada por dia, diz estudo
Desperdício representa 40,31% da água produzida
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil desperdiça diariamente o equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada antes que o recurso chegue às torneiras da população. A estimativa consta no Estudo de Perdas de Água 2025, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA), referentes a 2023.
Em um ano, o país perdeu 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada, volume suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas. As perdas totais correspondem a 40,31% da água produzida, percentual bem acima da meta de 25% estabelecida pela Portaria nº 490/2021, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
As regiões Norte e Nordeste apresentam os piores índices, com perdas de 49,78% e 46,25%, respectivamente. Entre os estados, Alagoas, Roraima e Acre desperdiçam mais da metade da água distribuída. Em contrapartida, Goiás, Distrito Federal e São Paulo registram os melhores indicadores do país.
O estudo considera como perdas os volumes decorrentes de vazamentos, falhas de medição e consumos não autorizados. Apenas as perdas físicas, principalmente causadas por vazamentos, ultrapassam 3 bilhões de metros cúbicos por ano, quantidade capaz de abastecer, por quase dois anos, as 17,2 milhões de pessoas que vivem em comunidades vulneráveis.
Além do desperdício de água, as perdas elevam os custos operacionais do sistema, com maior consumo de produtos químicos, energia, manutenção da rede e uso excessivo da infraestrutura, além da captação desnecessária em mananciais já pressionados pelas mudanças climáticas.
O impacto ambiental também é significativo. A captação acima da demanda real intensifica a pressão sobre rios, reduz a disponibilidade hídrica e amplia os custos de mitigação. Em um cenário marcado por secas prolongadas, calor extremo e mudanças no regime de chuvas, o estudo alerta para o agravamento da crise hídrica, especialmente diante do fato de que cerca de 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada.
Segundo a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, o avanço na redução das perdas tem sido lento, enquanto milhões de pessoas continuam sem acesso regular e de qualidade à água potável. Para ela, os eventos climáticos extremos tornam ainda mais urgente o investimento na modernização da infraestrutura e no combate às perdas.
As diferenças regionais refletem desigualdades estruturais, já que os piores indicadores estão concentrados em áreas com menor capacidade de investimento e maior fragilidade institucional. Para os autores do estudo, reduzir perdas também é uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, tema central dos debates internacionais sobre o clima.
De acordo com as estimativas, se o Brasil atingisse o índice de 25% previsto na regulação, seria possível economizar 1,9 bilhão de metros cúbicos de água por ano, volume equivalente ao consumo anual de 31 milhões de pessoas. O ganho econômico projetado chega a R$ 17 bilhões até 2033, com potencial para aumentar a resiliência dos municípios e ampliar a oferta de água em um contexto de intensificação das mudanças climáticas.
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