Ciência e Tecnologia • 19:35h • 25 de julho de 2026
Brasil pode ganhar espaço na nova corrida espacial com Base de Alcântara, aponta estudo
Relatório indica que localização privilegiada para lançamentos pode transformar o país em um dos protagonistas do mercado de satélites de baixa órbita, impulsionado pela inteligência artificial
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Race Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A expansão dos satélites de baixa órbita, conhecidos como LEO (Low Earth Orbit), pode colocar o Brasil em uma posição estratégica na economia espacial nos próximos anos. É o que aponta o estudo Low Earth, High Stakes: The Global LEO Satellite Race, publicado pela Allianz Research, divisão de pesquisas macroeconômicas da Allianz Trade.
Segundo o levantamento, o país reúne uma das melhores localizações do mundo para lançamentos espaciais graças à proximidade da Base de Alcântara, no Maranhão, com a Linha do Equador. Essa característica reduz o consumo de combustível durante os lançamentos e aumenta a eficiência das operações.
Mercado espacial deve crescer rapidamente nesta década
O estudo estima que o mercado global de serviços baseados em satélites de baixa órbita cresça entre sete e oito vezes até o fim da década.
A projeção é que esse segmento passe de aproximadamente US$ 16 bilhões em 2025 para US$ 120 bilhões em 2030. Já a economia espacial como um todo poderá saltar de cerca de US$ 600 bilhões para mais de US$ 1,8 trilhão até 2035.
Grande parte desse crescimento é atribuída ao avanço da inteligência artificial, da conectividade de baixa latência e de tecnologias como veículos autônomos, drones e robótica industrial, que dependem de comunicações rápidas e estáveis.
Alcântara é apontada como vantagem competitiva
Para os economistas da Allianz Research, a localização da Base de Alcântara representa um diferencial estratégico difícil de ser replicado.
A proximidade com a Linha do Equador permite que foguetes aproveitem melhor a velocidade de rotação da Terra, reduzindo o consumo de combustível e os custos de lançamento.
Apesar desse potencial, o estudo observa que a infraestrutura brasileira ainda é pouco utilizada. Mesmo após o acordo de salvaguardas tecnológicas firmado com os Estados Unidos em 2019, que autorizou operações comerciais de empresas norte-americanas na base, o número de lançamentos permanece limitado.
Inteligência artificial aumenta demanda por satélites
O relatório destaca que a expansão das constelações de satélites LEO acompanha o crescimento das aplicações de inteligência artificial e da necessidade de comunicação em tempo real.
Hoje, cerca de 40% da superfície terrestre ainda não conta com cobertura confiável de redes 5G, cenário que amplia a importância dos satélites para oferecer conectividade em regiões remotas e apoiar serviços que exigem baixa latência.
Estados Unidos lideram, China acelera e Brasil pode ganhar protagonismo
Segundo o estudo, os Estados Unidos continuam liderando o setor espacial, concentrando aproximadamente 60% dos investimentos privados realizados na indústria em 2025.
A China também acelera sua presença no segmento e pretende colocar em operação cerca de 30 mil satélites de baixa órbita até 2030, enquanto a Europa concentra esforços em nichos específicos da cadeia espacial, especialmente no desenvolvimento de tecnologias de lançamento.
Nesse contexto, o relatório aponta que o Brasil se destaca entre os países em desenvolvimento por reunir condições geográficas capazes de transformar Alcântara em um ativo estratégico para atender à crescente demanda mundial por lançamentos espaciais e fortalecer sua participação na nova economia do setor.
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