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Responsabilidade Social • 11:13h • 03 de maio de 2026

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025, aponta estudo

Queda impactou positivamente resultado mundial

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

O número representa uma redução de 42% das perdas em relação ao ano de 2024, sendo observado maior impacto nas derrubadas sem o uso do fogo. As perdas não relacionadas a incêndios resultam de desmatamento, corte raso e morte natural, entre outros fatores.
O número representa uma redução de 42% das perdas em relação ao ano de 2024, sendo observado maior impacto nas derrubadas sem o uso do fogo. As perdas não relacionadas a incêndios resultam de desmatamento, corte raso e morte natural, entre outros fatores.

O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em 2025, segundo balanço do Global Forest Watch divulgado pelo World Resources Institute (WRI). Apesar do volume expressivo, o dado representa uma queda de 42% em relação a 2024, com redução significativa nas perdas que não envolvem incêndios, como desmatamento, corte raso e mortes naturais.

De acordo com o levantamento, as perdas sem relação com fogo caíram 41% na comparação anual, atingindo o menor nível desde o início da série histórica, em 2001. Entre os estados que mais contribuíram para essa redução estão Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, que juntos respondem por mais de 40% da diminuição. O Maranhão foi o único a registrar aumento na perda de cobertura arbórea.

Os dados são produzidos pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, e consideram a vegetação primária — áreas naturais maduras com cobertura original. Diferentemente do sistema oficial brasileiro, o Prodes, o monitoramento do Global Forest Watch inclui outros fatores além do desmatamento, como degradação florestal e processos naturais.

Mesmo com metodologias distintas, especialistas apontam que os resultados estão alinhados com a tendência de queda do desmatamento nos principais biomas brasileiros. A redução foi observada também em outros ecossistemas, como a Caatinga.

Na avaliação do WRI Brasil, o desempenho é resultado de ações articuladas entre governo, sociedade civil, academia, comunidades locais e setor privado. Medidas como intensificação da produção em áreas já desmatadas, incentivos à preservação e políticas de pagamento por serviços ambientais têm contribuído para esse cenário.

No contexto global, o Brasil teve papel relevante na melhora dos indicadores. Em 2025, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais úmidas, uma queda de 35% em relação a 2024. As perdas sem relação com incêndios foram as menores da última década, mas os danos causados pelo fogo continuam elevados, sendo o terceiro maior nível desde 2001.

Ainda assim, o Brasil foi o país com maior área absoluta de perda florestal, respondendo por mais de 37% do total global. Na sequência aparecem Bolívia e República Democrática do Congo. Em termos proporcionais, Bolívia e Madagascar lideram as perdas.

A expansão agrícola segue como principal causa da perda de cobertura vegetal nos trópicos, impulsionada tanto pela produção de commodities quanto por práticas de subsistência.

Os incêndios continuam sendo um dos maiores desafios. Nos últimos três anos, eles provocaram perdas florestais duas vezes maiores do que as registradas há duas décadas. Parte dos dados de 2025 ainda pode ser revisada, já que a fumaça pode dificultar a detecção por satélites e atrasar registros.

Apesar da melhora, especialistas alertam que o ritmo atual ainda é insuficiente para cumprir a meta global de interromper e reverter a perda de florestas até 2030. Hoje, o mundo ainda está cerca de 70% acima do nível necessário para atingir esse objetivo, em um cenário de crescente pressão por alimentos, energia e impactos das mudanças climáticas.

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