Policial • 08:49h • 28 de setembro de 2026
Brasil registra 95 celulares furtados ou roubados por hora e fraudes com aparelhos subtraídos disparam 340%
Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta mais de 830 mil ocorrências em 2025; criminosos exploram celulares desbloqueados para acessar contas bancárias, recuperar senhas e realizar transferências via Pix
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da BRSA Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Brasil registrou 830.890 celulares furtados ou roubados em 2025, o equivalente a aproximadamente 95 aparelhos por hora, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Enquanto os roubos caíram 18,6%, os furtos aumentaram 0,9%, em um cenário de crescente preocupação com o acesso indevido a contas bancárias e dados pessoais. Um relatório da BioCatch aponta que as fraudes originadas em dispositivos roubados cresceram aproximadamente 340% no país, com forte concentração no último trimestre do ano passado.
Os números mostram que a perda de um celular pode representar um prejuízo muito maior do que o valor do próprio aparelho. Aplicativos bancários, contas digitais, mensagens e mecanismos de recuperação de senhas podem ser explorados por criminosos, especialmente quando o dispositivo é subtraído enquanto está desbloqueado.
A preocupação também aparece na percepção da população. Segundo o Anuário, 83,2% dos brasileiros têm medo de sofrer golpes pela internet ou pelo celular, percentual superior aos 78,8% que temem o roubo físico do aparelho.
Celular desbloqueado pode facilitar acesso a contas e transferências
Uma das estratégias utilizadas pelos criminosos consiste em furtar o telefone enquanto a vítima está utilizando o dispositivo. Com a tela desbloqueada, é possível tentar acessar aplicativos financeiros, consultar informações pessoais e utilizar mecanismos de recuperação de credenciais.
Códigos enviados por SMS ou e-mail, quando acessíveis no próprio aparelho, podem facilitar a alteração de senhas. Em determinadas situações, os criminosos conseguem realizar transferências via Pix antes que a vítima perceba a movimentação e solicite o bloqueio das contas.
O crescimento desse tipo de ocorrência aparece no relatório Tendências de Fraude em Bancos Digitais na América Latina 2026, produzido pela BioCatch e citado pelo Anuário. O levantamento identificou aumento de aproximadamente 340% nas fraudes originadas em dispositivos roubados no Brasil. Na América Latina, a alta foi de 344%.
Os dados indicam a importância de medidas de segurança que não dependam exclusivamente do bloqueio da tela, como limites para transferências, proteção adicional dos aplicativos financeiros e procedimentos rápidos para comunicar o furto às instituições bancárias.
Contas de terceiros dificultam recuperação do dinheiro
Outra etapa das fraudes envolve a transferência dos valores para contas de terceiros, frequentemente utilizadas para receber e redistribuir recursos de origem criminosa. A movimentação pode ocorrer rapidamente, com o dinheiro dividido entre diferentes destinatários.
Segundo a BioCatch, o número de contas identificadas como intermediárias em fraudes, conhecidas como contas laranja, cresceu 42% na América Latina em 2025. A dispersão dos recursos dificulta o rastreamento das transferências e a recuperação dos valores pelas vítimas.
Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina, explica que a análise comportamental pode ajudar as instituições financeiras a identificar movimentações suspeitas mesmo quando o criminoso já conseguiu acessar o dispositivo.
A tecnologia considera características como a maneira de segurar o telefone, o ritmo de navegação e o comportamento durante uma transação. Mudanças nesses padrões podem indicar que o aparelho está sendo utilizado por outra pessoa, permitindo a identificação de possíveis fraudes.
Estelionato eletrônico cresce 20,6% em um ano
O avanço das fraudes envolvendo celulares ocorre em um cenário mais amplo de crescimento dos crimes financeiros. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 contabilizou 2.261.055 ocorrências de estelionato no Brasil em 2025, aumento acumulado de 429,8% desde 2018.
Somente os registros de estelionato por meio eletrônico chegaram a 346.753 casos, crescimento de 20,6% em relação ao ano anterior. Os números reforçam a dimensão dos crimes digitais e a necessidade de proteção das informações armazenadas nos dispositivos móveis.
Em caso de furto ou roubo, a orientação é comunicar imediatamente a operadora de telefonia e as instituições financeiras, solicitar o bloqueio dos acessos e registrar um boletim de ocorrência. Também é recomendável utilizar os recursos de localização e bloqueio remoto disponíveis no aparelho e alterar as senhas das contas que possam ter sido comprometidas.
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