Segurança Pública • 14:10h • 15 de maio de 2026
Brasil registra quase seis mulheres mortas por dia e feminicídios crescem 34%
Crescimento de 34% nos casos consumados e tentados expõe falhas na proteção às vítimas e amplia debate sobre atuação preventiva das forças policiais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Arquivo
O aumento dos casos de feminicídio no Brasil voltou a acender o alerta sobre a violência contra mulheres e os desafios na prevenção desses crimes. Dados divulgados pela Agência Brasil mostram que o país registrou, em 2025, 6.904 vítimas de feminicídio consumado ou tentado, alta de 34% em relação ao ano anterior.
Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos ao longo do ano, o equivalente a quase seis mulheres mortas por dia.
Além da gravidade dos números, os dados reforçam um padrão recorrente: a maioria dos crimes acontece dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, já existiam registros anteriores de violência, ameaças ou medidas protetivas antes da escalada para o feminicídio.
O cenário amplia o debate sobre a necessidade de fortalecer ações preventivas e mecanismos de proteção às vítimas antes que a violência atinja níveis extremos.
Prevenção pode evitar escalada da violência
Para a Cabo Laura Bastos Honda, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, grande parte dos feminicídios apresenta sinais prévios que poderiam permitir uma intervenção antecipada. “Grande parte desses crimes é precedida por sinais claros de violência. Quando há denúncia, medida protetiva ou qualquer registro anterior, existe uma oportunidade real de intervenção”, afirma.
Segundo ela, o papel das forças policiais vai além da resposta após o crime consumado e precisa incluir acompanhamento contínuo das vítimas e atuação preventiva.
Entre as medidas consideradas importantes estão monitoramento de medidas protetivas, visitas periódicas, orientação às vítimas e presença policial mais próxima da comunidade. “A presença da polícia não deve ser vista apenas como resposta ao crime, mas como uma rede de apoio. Quando a vítima percebe que está sendo acompanhada, se sente mais segura inclusive para denunciar”, destaca.
Integração entre polícia, Justiça e assistência social é desafio
Especialistas apontam que o enfrentamento ao feminicídio depende de atuação integrada entre forças de segurança, Judiciário e serviços de assistência social. A rapidez no compartilhamento de informações, o acompanhamento de casos reincidentes e o uso de inteligência para identificar padrões de risco são apontados como caminhos importantes para evitar novas mortes.
Mesmo com o avanço da legislação brasileira nos últimos anos, incluindo leis específicas e aumento das penas para feminicídio, os números mostram que apenas endurecer punições não tem sido suficiente para conter o crescimento da violência. Para a Cabo Honda, fortalecer o acolhimento e a proximidade com as vítimas é uma das estratégias mais importantes.
“Cada denúncia é uma oportunidade de salvar uma vida. A polícia precisa estar preparada para acolher, agir rápido e acompanhar esses casos de forma contínua”, afirma.
Violência doméstica segue como principal contexto dos crimes
Os dados reforçam também a permanência da violência doméstica como principal contexto dos feminicídios no país. Especialistas alertam que agressões verbais, ameaças, controle excessivo, perseguição e violência psicológica muitas vezes antecedem os casos mais graves.
Nesse cenário, campanhas de conscientização, incentivo às denúncias e fortalecimento das redes de proteção continuam sendo apontados como pilares fundamentais no combate à violência de gênero.
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