Responsabilidade Social • 18:22h • 24 de setembro de 2026
Brasil tem 21,5 milhões de adultos LGBTQIA+, aponta pesquisa inédita sobre consumo e turismo
Levantamento apresentado em São Paulo investiga poder de compra, hábitos de viagem e fatores que influenciam a escolha de destinos, incluindo segurança e acolhimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O Brasil possui cerca de 21,5 milhões de pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais, segundo uma pesquisa inédita apresentada nesta terça-feira (22), durante a abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em São Paulo. Realizado pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil em parceria com o IEMI - Inteligência de Mercado, o levantamento investiga o perfil socioeconômico, os hábitos de consumo e o comportamento turístico dessa população, incluindo suas experiências com empresas e destinos de viagem.
A estimativa de 21.555.524 adultos LGBTQIA+ dimensiona um público que, segundo os organizadores, ainda enfrenta barreiras de atendimento e acolhimento em diferentes ambientes. A pesquisa reúne informações sobre poder de compra, estilo de vida, relacionamento com marcas, preferências de viagem e fatores que influenciam a escolha de produtos e serviços turísticos.
O estudo também considera a percepção de segurança e as situações em que viajantes sentem necessidade de ocultar sua identidade. Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, compreender essas experiências é tão importante quanto conhecer a dimensão econômica desse público, pois permite identificar necessidades que nem sempre são consideradas pelas empresas.
Segurança e acolhimento influenciam o turismo
A pesquisa foi desenvolvida para analisar o consumo e o turismo de forma conjunta, oferecendo informações que possam orientar agências de viagens, meios de hospedagem, destinos e outras empresas do setor.
Tania Neres, coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, destacou que o atendimento respeitoso deve ser compreendido tanto como uma necessidade dos viajantes quanto como parte das estratégias de desenvolvimento do mercado turístico. Segundo ela, os dados também poderão servir de referência para acompanhar mudanças no comportamento desse público.

A expectativa apresentada durante o lançamento é que uma nova edição da pesquisa seja realizada em 2027, permitindo comparar os resultados e identificar transformações nos hábitos de consumo e viagem.
Profissionais e destinos poderão usar os dados
Para Ana Carolina Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional), os resultados reforçam a necessidade de capacitação dos profissionais do turismo. Conhecer as particularidades de cada viajante, segundo ela, permite desenvolver roteiros e experiências mais adequados às necessidades individuais.
A presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), Marina Marinho, também apontou a possibilidade de utilizar o levantamento na elaboração de políticas públicas, na qualificação dos destinos e no planejamento de ações de inclusão.
Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, destacou que a produção de dados sobre essa população pode contribuir para superar estereótipos e orientar decisões de empresas e instituições.
A pesquisa foi lançada no Centro Cultural São Luiz, durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, que reúne representantes do poder público, empresas, entidades e especialistas para discutir diversidade, inclusão e oportunidades econômicas.
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