Mundo • 10:34h • 28 de maio de 2026
Brasil tem menor taxa de homicídios da série histórica em 2024
Pesquisa contabilizou 42.590 assassinatos, 6,9% menos que em 2023
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
A taxa de homicídios no Brasil atingiu, em 2024, o menor nível desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. O levantamento, divulgado na terça-feira (26), é produzido anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
No ano passado, o país registrou 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, índice 7,4% menor em comparação com 2023. Em números absolutos, foram 42.590 homicídios, uma redução de 6,9%.
Os dados foram elaborados com base em informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde.
Entre 2014 e 2024, a taxa nacional de homicídios caiu 33,4%, enquanto o número total de assassinatos teve redução de 29,6%.
Nesse período, o Amapá foi o único estado a apresentar aumento significativo tanto na taxa de homicídios (+30,2%) quanto no número absoluto de casos (+41,8%).
Apesar da queda histórica, o estudo aponta crescimento da subnotificação de crimes violentos e aumento da sensação de insegurança da população.
Para o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, o Brasil vive um momento de contraste: ao mesmo tempo em que registra redução dos homicídios, mantém ou amplia desigualdades que afetam grupos minoritários e vê crescer a percepção de violência.
Em entrevista à Agência Brasil, Cerqueira destacou que a taxa registrada em 2024 é a menor da série histórica e também a mais baixa desde 1998. Ainda assim, chamou atenção para a piora na qualidade dos dados levantados no último ano.
Segundo ele, a expectativa era de redução ou estabilidade no número de mortes violentas sem causa definida, mas houve aumento expressivo desses casos em 2024, o que acabou obscurecendo a dimensão da queda histórica dos homicídios.
Desigualdade regional e homicídios ocultos
O Atlas da Violência 2026 mostra que a melhora nos índices ocorreu de forma relativamente espalhada pelo país. Entre os estados, apenas Maranhão e Ceará tiveram aumentos relevantes entre 2023 e 2024, de 7,6% e 5,2%, respectivamente. São Paulo permaneceu estável.
As maiores quedas nas taxas ocorreram no Amapá (-30%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).
Em números absolutos, as reduções mais expressivas foram registradas no Rio de Janeiro (-772 casos), Bahia (-555), Rio Grande do Sul (-280), Goiás (-229) e Amazonas (-229).
As menores taxas oficiais de homicídio em 2024 foram observadas em São Paulo (6,6 por 100 mil habitantes), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2).
Já os maiores índices apareceram no Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas estão no Nordeste. Já as 20 menos violentas ficam exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.
Segundo o Atlas, diferenças históricas de desenvolvimento econômico, estrutura institucional, dinâmica populacional e presença do crime organizado ajudam a explicar essas desigualdades regionais.
O estudo também chama atenção para o crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), casos em que o Estado não consegue definir se o óbito foi provocado por acidente, suicídio ou homicídio.
Em 2024, foram registrados 3.311 casos desse tipo, um aumento de 23,8% em relação ao ano anterior.
Ao todo, 17.207 pessoas morreram de forma violenta sem que a causa fosse identificada. Segundo o Ipea, cerca de 41% desses casos correspondem, na verdade, a homicídios não contabilizados oficialmente.
Os pesquisadores alertam que o avanço dessas ocorrências prejudica o enfrentamento da violência, já que muitos assassinatos acabam ficando fora das estatísticas oficiais.
Para tentar dimensionar o problema, o Atlas desenvolveu uma metodologia que identifica quais mortes violentas têm maior probabilidade de serem homicídios. Esses casos passaram a ser classificados como “homicídios ocultos”.
Com base nesse modelo, o estudo concluiu que, das 17.207 mortes violentas sem causa definida registradas em 2024, 7.083 eram homicídios não reconhecidos oficialmente.
Segundo Daniel Cerqueira, o modelo utiliza padrões probabilísticos a partir das características das vítimas e das circunstâncias dos casos para identificar a possibilidade de homicídio.
Entre os fatores que contribuem para a subnotificação, o pesquisador aponta a falta de integração de informações entre os sistemas da saúde e da segurança pública.
Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6%, passando de 3.755 para 7.083 casos. A taxa saltou de 1,8 para 3,3 mortes a cada 100 mil habitantes.
Com isso, os homicídios ocultos passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados em 2024, contra 7,6% no ano anterior.
No acumulado entre 2014 e 2024, o Brasil registrou cerca de 55,2 mil homicídios ocultos, com média anual superior a 5 mil casos. Já o total de homicídios estimados chegou a 638,8 mil no período.
As maiores taxas estimadas de homicídios em 2024 foram observadas no Amapá (47,1), Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6).
As menores ocorreram em Santa Catarina (8,8), Distrito Federal (10,9), São Paulo (12,8), Rio Grande do Sul (15,9) e Minas Gerais (18,5).
Ao todo, 16 estados apresentaram taxa estimada acima da média nacional.
Entre 2014 e 2024, a taxa estimada nacional caiu 26,9%, indicando melhora significativa em relação ao início da série histórica. Ainda assim, o Atlas destaca que alguns estados continuam registrando piora ou redução insuficiente da violência.
O Amapá teve o maior crescimento da taxa estimada no período (+24,3%), seguido de Pernambuco (+0,8%). Já as maiores reduções ocorreram no Distrito Federal (-64,8%), Goiás (-56,9%), Sergipe (-53,4%), Rio Grande do Norte (-46,7%) e Alagoas (-39,6%).
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos