Saúde • 09:19h • 20 de junho de 2026
Brasil teve 120 mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos
Pesquisa aponta maior risco para idosos e população vulnerável
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo divulgado na quarta-feira (17) estima que cerca de 120 mil mortes registradas no Brasil entre 2000 e 2019 estiveram associadas às ondas de calor. O número representa aproximadamente 0,6% de todos os óbitos ocorridos no período, desconsiderando mortes por causas externas, como acidentes e violências.
A pesquisa também identificou aumento no risco de internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais durante períodos de temperaturas extremas.
O levantamento foi realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com coordenação técnica dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, iniciativas voltadas ao estudo dos impactos das mudanças climáticas na saúde pública.
Os dados analisados abrangem 5.566 municípios brasileiros, praticamente a totalidade do país. Apenas quatro cidades ficaram de fora por questões técnicas e administrativas.
Segundo os pesquisadores, há uma associação consistente entre a exposição ao calor extremo e o aumento da mortalidade, especialmente entre idosos, pessoas com doenças respiratórias, mulheres e indivíduos com menor nível de escolaridade.
Os autores destacam que o estudo oferece um panorama nacional dos impactos das ondas de calor ao considerar simultaneamente a frequência, a intensidade e a duração desses eventos climáticos, além de seus reflexos sobre as internações hospitalares e os índices de mortalidade.
As análises apontam que as ondas de calor elevam de forma significativa o risco de hospitalizações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por enfermidades do sistema urinário, incluindo insuficiência renal, em praticamente todas as regiões do país.
Entre crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites apareceram como uma das principais causas de internação associadas ao calor extremo. Os pesquisadores atribuem esse cenário à maior vulnerabilidade à desidratação e a alterações ambientais que podem comprometer a qualidade da água e a conservação dos alimentos.
Já entre pessoas com mais de 60 anos, o estudo identificou maior sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas, como o diabetes. Os pesquisadores também observaram que problemas cardiovasculares desencadeados por altas temperaturas podem evoluir rapidamente para quadros graves, aumentando o risco de morte antes mesmo da hospitalização.
Outro ponto destacado pelo levantamento é a desigualdade social nos impactos das ondas de calor. Os resultados indicam que pessoas com menor escolaridade apresentam um aumento proporcionalmente maior no risco de morte durante esses eventos climáticos.
A pesquisa também mostra que a frequência e a intensidade das ondas de calor cresceram na maioria dos municípios brasileiros entre 2000 e 2019. Os eventos mais frequentes e duradouros foram registrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto os episódios mais intensos em relação às médias históricas ocorreram principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta precoce para ondas de calor, além da integração de informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para os especialistas envolvidos no estudo, os resultados demonstram que o calor extremo já representa um importante problema de saúde pública no Brasil e reforçam a necessidade de ampliar as estratégias de adaptação às mudanças climáticas, especialmente para proteger os grupos mais vulneráveis da população.
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