Ciência e Tecnologia • 19:19h • 04 de julho de 2026
Brasileiras criam tecnologia natural contra incêndios florestais e levam inovação à competição mundial
Projeto desenvolvido na PUCPR transforma um problema ambiental em solução sustentável para conter queimadas e representar o Brasil no Hult Prize 2026
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Divulgação
O aumento dos incêndios florestais no Brasil e no mundo tem impulsionado a busca por soluções inovadoras para proteger o meio ambiente. Nesse cenário, duas estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolveram um retardante de chamas de origem natural que reduz a propagação do fogo sem causar danos ao ecossistema. A tecnologia garantiu às pesquisadoras uma vaga na etapa internacional do Hult Prize 2026, uma das maiores competições universitárias de empreendedorismo social do mundo.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil registrou 10.442 focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mesmo período, mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados em todo o planeta, de acordo com a World Weather Attribution (WWA).
Solução transforma problema ambiental em aliado
Criado pelas estudantes Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, do curso de Biotecnologia da PUCPR, o BIODEFENSER® é produzido a partir de um composto natural obtido do reaproveitamento de resíduos de uma espécie cuja proliferação excessiva provoca desequilíbrio ambiental no Brasil.
Segundo Mariah, o produto cria uma barreira térmica capaz de reduzir a intensidade e a propagação das chamas, permitindo um combate mais rápido e sustentável aos incêndios.
"Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, desenvolvemos uma solução que cria uma barreira térmica que reduz a propagação e a intensidade das chamas", explica.
Proteção continua mesmo após o combate
Além de auxiliar no controle do fogo, o retardante permanece ativo após a aplicação. Ao aderir ao solo e à vegetação, forma uma camada bioativa que dificulta o surgimento de novos focos de incêndio e ainda contribui para a recuperação ambiental.
De acordo com Taciane, o produto não oferece risco de contaminação ambiental e também reduz a quantidade de água necessária nas operações de combate às queimadas.
Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, estudantes do curso de Biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)
Pesquisa saiu da universidade para o mundo
O projeto começou em 2024 durante o HIPUC (Health Innovation PUCPR) e, posteriormente, tornou-se pesquisa vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), sob orientação do professor Luiz Fernando Bianchini.
Na sequência, a iniciativa também foi selecionada pelo Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP), conquistando investimento para seu desenvolvimento antes de vencer a etapa brasileira do Hult Prize.
Para o professor Bianchini, a universidade desempenha papel fundamental na formação de pesquisadores capazes de transformar conhecimento científico em soluções práticas para desafios ambientais.
Próximo passo é levar a tecnologia ao mercado
As pesquisadoras pretendem concluir o processo de patenteamento e os testes finais para disponibilizar o BIODEFENSER® no mercado durante o segundo semestre do próximo ano.
A expectativa é que a tecnologia possa integrar políticas públicas e iniciativas voltadas à prevenção e ao combate de incêndios florestais.
Segundo a diretora de Pesquisa da PUCPR, Vanessa Santos Sotomaior, iniciativas como essa demonstram como a pesquisa científica pode gerar impacto direto na sociedade ao conectar inovação, sustentabilidade e empreendedorismo.
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