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Economia • 18:34h • 10 de junho de 2026

Brasileiros acumulam 270 bilhões de pontos; cartão premium vale mesmo a pena?

Crescimento das milhas, benefícios de viagem e salas VIP impulsiona procura por cartões de alta renda, mas especialistas alertam para a importância de avaliar o custo-benefício

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Brasileiros acumulam bilhões de pontos em programas de fidelidade; quando um cartão premium realmente compensa?
Brasileiros acumulam bilhões de pontos em programas de fidelidade; quando um cartão premium realmente compensa?

Os programas de fidelidade seguem ganhando espaço no Brasil e movimentando cifras cada vez maiores. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), os consumidores acumularam 270,5 bilhões de pontos e milhas no terceiro trimestre de 2025, volume 15,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, o setor faturou R$ 6,59 bilhões.

O avanço desse mercado também impulsionou a oferta de cartões premium, que prometem vantagens como acesso a salas VIP em aeroportos, seguros de viagem, cashback, programas de pontos turbinados e benefícios em compras internacionais. Hoje, de acordo com a própria ABEMF, 88,3% dos brasileiros participam de algum programa de relacionamento ou fidelidade.

Com tantas opções disponíveis, uma dúvida tem se tornado cada vez mais comum entre consumidores: afinal, vale a pena pagar anuidades mais altas para ter acesso a esses benefícios?

O custo da anuidade precisa entrar na conta

Para Ana Lucia Rocha, planejadora financeira CFP® da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), a resposta depende diretamente da rotina e dos hábitos de consumo de cada pessoa.

Segundo a especialista, o primeiro passo é comparar o valor pago anualmente com os benefícios efetivamente utilizados. "Dependendo da categoria do cartão, a anuidade pode representar um valor significativo ao longo do ano. Por isso, é importante avaliar se as vantagens oferecidas realmente fazem parte da rotina do usuário", explica.

O cenário se torna mais favorável para quem viaja com frequência, utiliza aeroportos regularmente ou concentra boa parte dos gastos no cartão de crédito. Nesses casos, benefícios como salas VIP, seguros, proteção para bagagens e acúmulo acelerado de pontos podem gerar um retorno mais perceptível.

Pontos e milhas nem sempre têm o mesmo valor

Outro aspecto importante é que o valor dos pontos e milhas varia conforme o programa utilizado, as regras de conversão e as oportunidades de resgate disponíveis.

Na prática, duas pessoas com a mesma quantidade de pontos podem obter resultados bastante diferentes dependendo da forma como utilizam o programa. Por isso, acumular pontos sem planejamento nem sempre representa vantagem financeira.

Além disso, muitos consumidores acabam pagando anuidades elevadas atraídos por benefícios que raramente utilizam, o que reduz significativamente o retorno esperado.

Cresce a disputa entre bancos e instituições financeiras

O aumento da concorrência entre bancos, cooperativas e fintechs tem ampliado a oferta de benefícios para atrair clientes de maior poder de consumo. Entre as estratégias adotadas estão campanhas com redução de spread cambial, vantagens para compras internacionais, subsídios relacionados ao IOF e condições especiais para quem viaja ao exterior.

Esse movimento acompanha a crescente internacionalização do consumo e o aumento da procura por experiências ligadas a viagens, turismo e programas de recompensas.

Para Ana Lucia Rocha, porém, o cartão deve continuar sendo visto principalmente como uma ferramenta de organização financeira. "Benefícios como milhas, salas VIP e serviços exclusivos podem gerar valor quando existe uso consistente. O mais importante é entender se esses custos e vantagens fazem sentido para a rotina e os objetivos financeiros de cada pessoa", afirma.

Antes de escolher, vale fazer as contas

Com o crescimento dos programas de fidelidade e dos cartões premium, a tendência é que os consumidores encontrem cada vez mais ofertas e benefícios no mercado. Ainda assim, especialistas recomendam analisar cuidadosamente os custos envolvidos, o perfil de gastos e a frequência de utilização das vantagens oferecidas.

Em muitos casos, um cartão mais simples pode atender perfeitamente às necessidades do usuário. Em outros, os benefícios extras podem compensar o investimento anual. A diferença está menos na quantidade de vantagens prometidas e mais no quanto elas realmente são utilizadas ao longo do ano.

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