Saúde • 07:56h • 06 de agosto de 2025
Butantan vai desenvolver medicamento com anticorpo contra o vírus Zika
Medicamento feito a partir de anticorpo descoberto e licenciado pela Universidade Rockefeller, dos EUA, terá produção testada em escala farmacêutica em fábrica do Instituto
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
O Instituto Butantan vai produzir e testar um novo medicamento com anticorpos contra o vírus Zika. A ideia é oferecer uma forma de proteção, principalmente para grávidas, mas que também possa ser usada por outras pessoas em risco. O anticorpo foi descoberto por pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, e licenciado para o Butantan.
O diretor do Instituto, Esper Kallás, explica que o objetivo é preparar o país para um possível novo surto de Zika, como o que aconteceu em 2015 e 2016. Naquela época, o vírus causou um aumento de casos de microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 4.500 crianças nasceram com a malformação entre 2015 e 2017.
O anticorpo foi desenvolvido a partir de células adaptadas em laboratório, e o Butantan está trabalhando para que ele dure mais tempo no corpo. A ideia é que uma única dose aplicada no início da gravidez seja suficiente para proteger a mãe e o bebê durante toda a gestação.
Em testes feitos nos Estados Unidos com macacas grávidas, os anticorpos reduziram a presença do vírus e protegeram os filhotes de danos neurológicos. Agora, o Instituto Butantan vai iniciar uma nova etapa, adaptando a fórmula para uso em humanos e preparando os estudos clínicos. Os primeiros testes serão feitos com adultos saudáveis, e só depois será avaliada a aplicação em grávidas.
Esse tipo de medicamento, chamado de anticorpo monoclonal, age como uma defesa pronta contra o vírus. É uma forma de imunização temporária, diferente da vacina, que estimula o corpo a produzir sua própria proteção. Segundo Esper Kallás, o medicamento não substitui a vacina contra Zika, mas pode ser uma alternativa segura para mulheres que não foram vacinadas ou que precisam de proteção imediata durante a gravidez.
A pesquisa é liderada por cientistas brasileiros que atuam nos Estados Unidos e no Brasil, e reforça o esforço do Butantan em combater doenças transmitidas por mosquitos, como Zika, dengue e chikungunya. Com as mudanças no clima e o aumento da população de mosquitos, a preocupação com novos surtos dessas doenças voltou a crescer. Por isso, o Instituto aposta em soluções que ajudem a proteger a população, principalmente os grupos mais vulneráveis, como as gestantes.
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