Ciência e Tecnologia • 10:04h • 22 de setembro de 2026
Caneta 3D de R$ 70 vira sensor para detectar composto explosivo em pesquisa da USP
Tecnologia usa eletrodos de baixo custo para identificar ácido pícrico em poucos minutos e pode ajudar na análise de água e em investigações fora dos laboratórios
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Divulgação
Uma caneta 3D comercializada como brinquedo e que custa cerca de R$ 70 foi transformada por pesquisadores em uma ferramenta para fabricar sensores capazes de detectar ácido pícrico, composto explosivo, poluente e nocivo à saúde. Desenvolvido no Instituto de Química da USP, o método busca tornar análises químicas mais rápidas, portáteis e baratas, especialmente em locais distantes de laboratórios.
O ácido pícrico é utilizado para fins industriais e, quando descartado inadequadamente, pode alcançar o lençol freático e afetar ambientes aquáticos. A identificação rápida permitiria, por exemplo, verificar em poucos minutos a possível presença do composto em uma amostra de água e decidir se são necessárias análises laboratoriais mais sofisticadas.
De brinquedo a ferramenta científica
A caneta 3D é usada para fabricar eletrodos com filamentos de ácido poliláctico e negro de carbono. Quando uma amostra entra em contato com o sistema, uma reação eletroquímica permite medir a concentração da substância. O dispositivo utiliza ainda papel para transportar a solução até a superfície dos eletrodos e pode funcionar com uma pilha.
A alternativa chama atenção pelo contraste de custos. Enquanto a caneta utilizada pelos pesquisadores custa aproximadamente R$ 70, equipamentos empregados em análises laboratoriais por cromatografia podem chegar a R$ 500 mil e exigem profissionais especializados para sua operação.
O sistema não pretende eliminar as análises confirmatórias em laboratório. A proposta é permitir uma triagem inicial rápida, inclusive em regiões remotas ou de difícil acesso, indicando quando é necessário aprofundar uma investigação.
A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Línguas Eletrônicas e Sensores Químicos do Instituto de Química da USP, a partir da iniciação científica de Júlia de Oliveira Cardoso, sob coordenação de Thiago Paixão e com participação de Lauro Antonio Pradela Filho, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
O estudo foi publicado na revista científica Microchimica Acta. O artigo completo está disponível neste link.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos