Saúde • 10:39h • 30 de setembro de 2026
Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com redução de até 90% no preço de aquisição
Ministério da Saúde estima investimento de R$ 1,5 bilhão por ano e encaminhou à Conitec pedido para avaliar a incorporação dos medicamentos contra a obesidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MS | Foto: Divulgação
As chamadas canetas emagrecedoras podem passar a ser oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), caso a incorporação dos medicamentos seja aprovada. O Ministério da Saúde estima um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano e projeta que as compras em grande escala, combinadas à produção nacional, possam reduzir entre 80% e 90% o preço de aquisição pelo sistema público.
A proposta ainda depende de avaliação. Nesta semana, o Ministério encaminhou um pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar a entrada de novas tecnologias e medicamentos na rede pública.
O movimento ocorre após uma redução de aproximadamente 70% no preço desses medicamentos nas farmácias, segundo o Ministério da Saúde. A pasta atribui o novo cenário à ampliação da concorrência, ao estímulo à produção nacional e à entrada de novos produtos no mercado.
Número de usuários passa de 750 mil por mês
Um chamamento realizado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estimular a entrada de fabricantes resultou no registro de 16 novos produtos somente em 2026, entre genéricos e similares. Pelo menos quatro são produzidos no Brasil.
Dados da Anvisa citados pelo Ministério mostram que o número de pessoas que utilizam as canetas passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, a projeção de R$ 1,5 bilhão anuais é a referência utilizada pela pasta para estudar a oferta dos produtos pela rede pública.
Uso seria voltado ao tratamento da obesidade
O Ministério ressalta que a eventual incorporação não é apresentada como tratamento de finalidade estética, mas como parte da assistência à obesidade, associada a outras medidas, como alimentação adequada e atividade física.
A iniciativa acompanha recomendações recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento da obesidade. A orientação considera esses medicamentos dentro de estratégias mais amplas de cuidado e destaca a necessidade de ampliar o acesso e reduzir custos.
Nesse contexto, o Ministério também aponta a expansão do programa Academia da Saúde. O número de atividades passou de 331,6 mil em 2022 para 492,1 mil em 2025, crescimento de 48,5%. A política prevê ainda 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios, com investimento de R$ 80,7 milhões.
A eventual oferta das canetas pelo SUS, porém, ainda não está aprovada nem disponível de forma ampla. O pedido apresentado pelo Ministério deverá passar pela avaliação da Conitec antes de uma decisão sobre a incorporação ao sistema público.
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