Responsabilidade Social • 14:37h • 10 de junho de 2026
Carbono azul ganha destaque como aliado no combate às mudanças climáticas
Especialistas defendem a proteção de manguezais, marismas e pradarias marinhas, ecossistemas capazes de capturar e armazenar grandes quantidades de dióxido de carbono e essenciais para a biodiversidade e a economia costeira
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho, especialistas reforçam a importância de um aliado ainda pouco conhecido no enfrentamento das mudanças climáticas: o chamado carbono azul. O termo se refere ao dióxido de carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos, como manguezais, marismas e pradarias marinhas.
Esses ambientes funcionam como grandes reservatórios naturais de carbono, retirando o dióxido de carbono da atmosfera e ajudando a reduzir os impactos do aquecimento global. Além desse papel climático, eles também contribuem para a preservação da biodiversidade, a proteção da linha costeira e a manutenção das atividades pesqueiras.
Oceanos absorvem parte significativa das emissões
Os oceanos desempenham um papel fundamental no equilíbrio climático do planeta. Estima-se que absorvam cerca de 30% das emissões globais de dióxido de carbono e sejam responsáveis pela produção de mais da metade do oxigênio disponível na atmosfera.
Por isso, especialistas destacam que, embora a Amazônia seja frequentemente lembrada pela sua importância ambiental, os oceanos também exercem uma função essencial na regulação do clima global.
Brasil possui posição estratégica
O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do planeta, localizado na costa amazônica. Essa característica coloca o país em posição privilegiada para desenvolver soluções baseadas na natureza voltadas à mitigação das mudanças climáticas.
Além de armazenarem grandes quantidades de carbono, os manguezais servem como berçários naturais para diversas espécies marinhas, ajudam a proteger o litoral contra erosão e ressacas e garantem a subsistência de milhares de famílias que dependem da pesca artesanal.
Apesar dessa relevância, especialistas apontam que os ecossistemas marinhos ainda recebem menos atenção e investimentos em conservação do que outros biomas brasileiros, como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
Oceano ocupa área equivalente a 40% do território nacional
O sistema marinho-costeiro brasileiro possui cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, área equivalente a aproximadamente 40% do território nacional. Mais da metade da população brasileira vive em regiões influenciadas por esse ecossistema.
Mesmo assim, a conservação dos ambientes marinhos ainda enfrenta desafios relacionados à falta de visibilidade, investimentos e políticas públicas voltadas especificamente à proteção dos oceanos.
Comunidades tradicionais são fundamentais
O avanço dos projetos relacionados ao carbono azul também tem ampliado o debate sobre os direitos das comunidades tradicionais que vivem e trabalham nesses territórios.
Especialistas defendem que iniciativas de conservação devem garantir a participação dessas populações e a distribuição justa dos benefícios gerados pelos projetos ambientais.
A avaliação é que o sucesso dessas ações não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de conservar a biodiversidade, fortalecer territórios tradicionais e melhorar a qualidade de vida das comunidades locais.
Degradação pode agravar o aquecimento global
Quando manguezais, marismas e outros ecossistemas costeiros são degradados, deixam de oferecer serviços ambientais essenciais e podem se transformar em fontes de emissão de gases de efeito estufa.
Isso acontece porque o carbono acumulado durante décadas ou até séculos nesses ambientes pode ser liberado novamente para a atmosfera, intensificando o aquecimento global.
Além disso, a destruição desses habitats compromete a reprodução de espécies marinhas, reduz a proteção natural do litoral e aumenta a vulnerabilidade das comunidades costeiras a eventos climáticos extremos.
Proteção dos oceanos também gera emprego e renda
A importância dos oceanos vai além da questão ambiental. Em todo o mundo, a pesca sustenta cerca de 100 milhões de empregos e fornece milhões de toneladas de alimentos todos os anos, desempenhando papel estratégico para a segurança alimentar.
No Brasil, aproximadamente 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos para garantir sua renda e seu sustento.
Por isso, organizações ambientais defendem que proteger os oceanos significa também preservar empregos, fortalecer culturas tradicionais e assegurar meios de vida construídos ao longo de gerações.
Conservação e restauração estão entre as prioridades
Instituições ambientais têm ampliado esforços para fortalecer áreas marinhas protegidas, restaurar ecossistemas degradados e melhorar a gestão dos recursos costeiros.
Entre as prioridades estão a recuperação de manguezais, recifes de coral e restingas, além da promoção de uma transição energética sustentável e do fortalecimento das políticas públicas voltadas à governança dos oceanos.
A expectativa é que a valorização do carbono azul contribua não apenas para o combate às mudanças climáticas, mas também para a preservação da biodiversidade, a proteção das comunidades costeiras e o desenvolvimento sustentável das regiões litorâneas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos