Educação • 14:48h • 09 de junho de 2026
Cards inspirados em Pokémon viram ferramenta de alerta contra apostas entre jovens
Nova etapa da campanha Anti-Tigrinho das Fábricas de Cultura pretende impactar mais de 10 mil estudantes com linguagem próxima do universo infantojuvenil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O avanço das apostas online entre adolescentes e jovens tem mobilizado escolas, famílias e instituições em todo o país. Em São Paulo, as Fábricas de Cultura iniciaram uma nova etapa da campanha Anti-Tigrinho apostando em uma estratégia diferente para chamar a atenção desse público: cards colecionáveis inspirados nos famosos jogos de cartas que fazem sucesso há décadas entre crianças e adolescentes.
A iniciativa utiliza ilustrações, histórias e mensagens educativas para alertar sobre os riscos das apostas online, especialmente aquelas associadas aos chamados jogos do "Tigrinho" e outras plataformas de bets. A expectativa é que as ações alcancem mais de 10 mil jovens da Grande São Paulo por meio de atividades realizadas em escolas da rede pública.
Linguagem jovem para discutir um problema crescente
Os cards foram criados pelos artistas Matheus Dk e Júlia Vannucci, que buscaram traduzir situações reais vividas por adolescentes em peças de fácil compreensão e forte identificação com o público jovem.
Uma das cartas, por exemplo, retrata o personagem "Tigrinho Rouba Lanche", inspirado em relatos de estudantes que utilizaram o dinheiro destinado à alimentação para fazer apostas e acabaram perdendo os recursos. A proposta é abordar um tema sério sem recorrer a discursos distantes da realidade dos adolescentes.
Card Anti-Tigrinho feito pela artista Vanucci - @vxnnucci
Segundo Renato Barreiros, diretor de Promoção das Fábricas de Cultura, a campanha busca mostrar que as apostas online podem trazer consequências financeiras e emocionais importantes. Para ele, a criatividade dos jovens pode ser uma ferramenta poderosa de conscientização e transformação social.
A distribuição dos cards acontece durante atividades mensais promovidas pelas Fábricas de Cultura em escolas localizadas nas regiões da zona Leste da capital, São Bernardo do Campo e Santos.
Campanha já envolveu funk, grafite e rodas de conversa
A ação dos cards dá continuidade a uma mobilização iniciada em 2025 pelas Fábricas de Cultura. Entre as iniciativas já realizadas estão concursos de funk com letras de conscientização, produção de grafites temáticos, exposições artísticas e encontros com estudantes da rede pública.
Em fevereiro deste ano, artistas participantes da campanha estiveram em escolas para conversar com alunos sobre os impactos das apostas online. Já em 2025, mais de 1,2 mil cartazes com grafites produzidos por jovens das periferias foram distribuídos em unidades de ensino com mensagens de prevenção ao vício em jogos.
A preocupação encontra respaldo em dados recentes. Levantamento da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) apontou que 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 35 anos adiaram planos de ingressar no ensino superior em 2025 por terem comprometido parte significativa da renda com apostas esportivas e jogos online.
Tema ganha espaço em escolas e políticas públicas
O crescimento das plataformas de apostas e a popularização de jogos que prometem ganhos rápidos têm levado especialistas a defender ações preventivas cada vez mais cedo. O objetivo é ampliar a educação financeira, desenvolver senso crítico e alertar sobre os riscos de endividamento e dependência.
A campanha Anti-Tigrinho também acompanha iniciativas recentes do Estado de São Paulo voltadas à conscientização sobre o vício em jogos de apostas, reforçando o debate sobre um tema que vem ganhando espaço dentro das escolas e das famílias brasileiras.
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