Responsabilidade Social • 11:06h • 15 de fevereiro de 2026
Carnaval: pais não devem postar imagens de crianças, diz pesquisador
Presidente da ChildFund diz que violações se elevam no período
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Especialistas alertam que o carnaval, apesar de ser um período de celebração e lazer, também aumenta a vulnerabilidade de crianças e adolescentes a diferentes tipos de violência. Segundo Maurício Cunha, presidente do ChildFund Brasil e pesquisador em políticas públicas para a infância, há crescimento de violações tanto no ambiente físico quanto no digital durante a festa.
Dados do Disque 100 indicam que, no carnaval de 2024, foram registradas mais de 26 mil denúncias de suspeitas de crimes contra crianças e adolescentes — aumento de 38% em relação ao ano anterior. Quase 40% das violações notificadas no período envolviam esse público.
Entre os principais riscos estão a erotização precoce, desaparecimentos em meio a grandes aglomerações, trabalho infantil e exploração sexual. No ambiente online, a exposição de imagens nas redes sociais amplia os perigos. Pesquisa do ChildFund com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos revelou que 54% afirmam já ter sofrido algum tipo de violência sexual na internet.
O especialista orienta que famílias evitem publicar fotos e vídeos de crianças, desativem a localização em aplicativos e utilizem ferramentas como controle parental e restrições de privacidade. Ele destaca que adolescentes brasileiros passam, em média, quatro horas por dia nas redes sociais, o que aumenta a exposição a riscos.
Cunha também chama atenção para o fato de que mais de 85% das violações sexuais contra crianças são cometidas por pessoas conhecidas ou de confiança da família, muitas vezes dentro do próprio ambiente doméstico.
A recomendação é que qualquer suspeita de violência seja denunciada pelo Disque 100, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia. O especialista reforça que a proteção é dever compartilhado entre família, sociedade e poder público, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e defende vigilância redobrada durante o período festivo.
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