• Vinhos paulistas são premiados entre os melhores do mundo em 2026
  • Assis Anime Fest 4.0 já tem data e confirma atrações para o primeiro domingo de agosto
  • Palestra gratuita em Assis mostra como aplicar inteligência artificial nos negócios
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 16:39h • 25 de outubro de 2025

Casos de câncer de mama: Estudo revela que pacientes do SUS têm até 16 pontos a menos de sobrevida

Pesquisa revela diagnóstico mais tardio e menores chances de sobrevivência entre mulheres atendidas pelo sistema público

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sensu Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1

Diferença no diagnóstico e acesso ao tratamento reduz chances de cura de mulheres atendidas pelo SUS
Diferença no diagnóstico e acesso ao tratamento reduz chances de cura de mulheres atendidas pelo SUS

Um estudo realizado com 65.543 pacientes diagnosticadas com câncer de mama em São Paulo entre 2000 e 2020 revelou uma diferença significativa nas chances de sobrevivência entre mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e aquelas tratadas na rede privada. O levantamento, publicado na revista científica Clinical Breast Cancer em 25 de setembro, mostrou que a sobrevida em dez anos pode ser até 16 pontos percentuais menor entre as pacientes do SUS, evidenciando desigualdades estruturais no acesso ao diagnóstico precoce e às terapias integradas.

A pesquisa foi conduzida pelo radio-oncologista Gustavo Nader Marta, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), médico do Hospital Sírio-Libanês, pesquisador do Latin America Cooperative Oncology Group (LACOG) e livre-docente da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

“O que nossos dados demonstram de forma inequívoca é que o local de tratamento ainda determina fortemente o prognóstico das pacientes. Isso reflete desigualdades estruturais e precisa ser enfrentado com urgência”, afirma Marta.

Diagnóstico tardio e impacto direto na sobrevida

Os dados apontam que pacientes da rede privada chegam com mais frequência aos hospitais em estágios iniciais da doença: 41,4% dos casos estavam em estágio I, contra 21,2% no SUS. Já na rede pública, os diagnósticos em estágio III alcançaram 29,5%, e 11,1% das mulheres já apresentavam metástase (estágio IV), proporções bem maiores que na rede privada (16,9% e 5,3%, respectivamente).

Essas diferenças têm reflexo direto nas chances de sobrevida. Após dez anos, 81,6% das pacientes em estágio I na rede privada estavam vivas, contra 77,5% no SUS. Em estágio II, a taxa foi de 74% na rede privada e 63,3% na pública. Nos casos mais graves (estágio III), o contraste é ainda mais acentuado: 55,6% contra 39,6%. Em tumores metastáticos, a sobrevida caiu para 7,6% na rede privada e 6,4% no SUS.

“Quando a paciente é diagnosticada tardiamente, mesmo recebendo os mesmos tipos de tratamento, suas chances de longo prazo ficam muito comprometidas. Precisamos fortalecer políticas públicas de rastreamento e ampliar o acesso a exames de imagem de forma equitativa”, destaca o médico.

Educação e acesso: determinantes da sobrevivência

Além do tipo de sistema de saúde, o estudo também identificou fatores sociais e educacionais como determinantes de melhor prognóstico. Mulheres com maior nível de escolaridade apresentaram maior sobrevida, assim como aquelas que tiveram acesso a tratamentos combinados, como cirurgia associada à radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia.

“Pacientes com mais informação conseguem reconhecer sintomas precoces e buscar atendimento mais rápido. A educação em saúde é fundamental para que a mulher chegue antes ao diagnóstico e possa ter acesso às terapias adequadas”, explica Marta.

Os autores ressaltam que o combate ao câncer de mama exige ações integradas, que vão além da estrutura hospitalar. É preciso investir em informação, prevenção e políticas de apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade, de forma que o diagnóstico não ocorra apenas em fases avançadas da doença.

SUS avança, mas desigualdades persistem

Apesar do cenário desigual, a pesquisa mostra melhoria gradual nas taxas de sobrevida das pacientes do SUS nas últimas duas décadas, reflexo de políticas de ampliação do acesso e da incorporação de novos equipamentos de radioterapia.

Mesmo assim, Marta reforça que o CEP ainda define as chances de cura. “Não podemos ignorar que, no Brasil, a chance de sobreviver ao câncer de mama ainda está atrelada ao local de moradia, ao nível educacional e ao tipo de atendimento. Isso precisa ser enfrentado com ações estruturais e investimentos sustentáveis”, afirma.

Entre as medidas recomendadas estão a expansão da cobertura de mamografia, a redução do tempo entre a suspeita e a confirmação diagnóstica, e uma melhor distribuição dos serviços de radioterapia e oncologia cirúrgica no estado.

“Investir em diagnóstico precoce e acesso equitativo a tratamentos modernos não é apenas uma questão técnica, mas de justiça social. A recente recomendação do Ministério da Saúde de iniciar o rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos é um passo importante”, conclui o especialista.

Comparações internacionais e desafios

Os resultados do estudo paulista reforçam um padrão observado em países de baixa e média renda, onde as desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento ainda determinam o desfecho dos casos.

“Nosso trabalho mostra que não se trata de um problema isolado de um tipo de câncer, mas de uma questão estrutural. O momento é estratégico para discutir financiamento e fortalecimento do SUS. Não é aceitável que, em 2025, a chance de uma mulher sobreviver dependa do convênio que ela tem”, finaliza Marta.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Educação • 20:21h • 27 de abril de 2026

Especialização médica na Itália atrai brasileiros, mas exige etapas rigorosas

Reconhecimento do diploma, registro profissional e aprovação em seleção nacional são obrigatórios para acesso às vagas

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 19:34h • 27 de abril de 2026

Casais LGBTQIA+ ainda enfrentam riscos patrimoniais sem formalização da relação

Mesmo com aumento de casamentos, falta de documentação adequada pode gerar disputas em casos de separação ou morte

Descrição da imagem

Mundo • 18:22h • 27 de abril de 2026

Sintomas de infarto lideram buscas de saúde no Google e expõem dúvidas dos brasileiros

Levantamento mostra volume elevado de pesquisas sobre sinais de doenças e acende alerta sobre autodiagnóstico e informação confiável

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:36h • 27 de abril de 2026

Vinhos paulistas são premiados entre os melhores do mundo em 2026

Vinícolas do interior paulista ganham medalhas em torneios internacionais com rótulos participantes do Guia Rotas dos Vinhos de SP

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:11h • 27 de abril de 2026

Assis Anime Fest 4.0 já tem data e confirma atrações para o primeiro domingo de agosto

Evento reúne cultura geek, campeonatos e dublador de personagens famosos em novo espaço na cidade

Descrição da imagem

Esporte • 16:33h • 27 de abril de 2026

Veja como destinar parte do seu Imposto de Renda para projetos esportivos

Contribuintes podem direcionar parte do imposto devido para iniciativas aprovadas pelo Ministério do Esporte e apoiar inclusão social, saúde e formação de atletas

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 16:07h • 27 de abril de 2026

Formação de cão-guia leva até dois anos e pode custar até R$ 100 mil, aponta estudo

Levantamento divulgado às vésperas do Dia Internacional do Cão-guia destaca filas de espera e reforça a necessidade de mais apoio a projetos de formação

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 15:40h • 27 de abril de 2026

Conferência internacional debate transição energética e redução de combustíveis fósseis

Encontro na Colômbia reúne mais de 60 países para discutir caminhos sustentáveis e enfrentar a crise climática global

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar