Esporte • 16:29h • 12 de setembro de 2026
CBD ganha espaço entre atletas, mas uso exige atenção à Wada, ao THC e à procedência
Canabidiol foi retirado da lista de substâncias proibidas da Wada, enquanto THC e outros canabinoides continuam vetados em competição e exigem atenção à procedência dos produtos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O canabidiol (CBD) não integra a lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (Wada), mas isso não significa que atletas profissionais possam utilizar qualquer produto à base da substância sem preocupação. THC e outros canabinoides naturais e sintéticos permanecem proibidos durante as competições, o que torna procedência, composição e controle laboratorial pontos importantes para evitar um resultado adverso no antidoping.
O assunto ganhou espaço diante do interesse de atletas por produtos com CBD em uma rotina marcada por treinos intensos, lesões, viagens, pressão emocional e pouco tempo de recuperação. Segundo Ricardo Guimarães, ex-atleta e treinador internacional de voleibol e fundador da CBD Brasil e da CBD Brasil Academy, a discussão precisa ser acompanhada por orientação profissional e controle de qualidade.
“O atleta precisa entender que CBD não é sinônimo de produto liberado. A Wada excluiu o canabidiol da lista de substâncias proibidas, mas outros canabinoides continuam proibidos em competição. Procedência, certificado de análise, rastreabilidade e avaliação profissional são indispensáveis”, afirma.
Embalagem com “zero THC” não elimina o risco
Um dos principais cuidados está na composição. Produtos anunciados como CBD puro ou sem THC podem apresentar erros de rotulagem, diferenças entre lotes ou contaminação quando não existe controle laboratorial confiável.
Isso é particularmente relevante no esporte profissional porque vigora o princípio da responsabilidade objetiva: o atleta responde pelas substâncias encontradas em seu organismo mesmo quando a ingestão não foi intencional. A própria Wada alerta que o uso de produtos com CBD ocorre por conta e risco do atleta devido à possibilidade de presença de canabinoides proibidos.
Por isso, antes do uso, é recomendada a verificação do certificado de análise correspondente ao lote, composição, presença de THC ou outros canabinoides, laboratório responsável e rastreabilidade. A equipe médica também deve avaliar possíveis interações com medicamentos e acompanhar o atleta.
CBD não é atalho para melhorar desempenho
O CBD também não deve ser apresentado como substância capaz de aumentar automaticamente força, velocidade, resistência ou rendimento. Estudos sobre possíveis aplicações relacionadas a sono, dor, ansiedade e recuperação continuam em desenvolvimento, com resultados que variam conforme população, finalidade, formulação e dose analisadas.
“O papel da ciência não é criar atalhos para o desempenho. É investigar riscos, limites e possíveis aplicações. O CBD não substitui diagnóstico, fisioterapia, descanso, nutrição, preparação física ou tratamento médico”, destaca Guimarães.
A cautela vale para futebol e também para modalidades de alto impacto, como artes marciais, jiu-jítsu, rúgbi, futebol americano, triatlo, ciclismo e corridas de longa distância. Dor e cansaço podem indicar lesão ou excesso de treinamento, e reduzir a percepção do desconforto não substitui a investigação da causa.
Clubes também precisam olhar para o antidoping
Para Guimarães, clubes, federações e academias podem estabelecer protocolos para que produtos utilizados pelos atletas sejam informados à equipe médica, tenham certificados analisados e permaneçam registrados durante o acompanhamento.
A atenção deve ser ainda maior nas categorias de base. Produtos à base de cannabis não devem ser banalizados como estratégia de recuperação, relaxamento ou desempenho entre adolescentes sem indicação clínica, avaliação profissional e conhecimento dos responsáveis.
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