Mundo • 09:10h • 02 de janeiro de 2026
Censo 2022: mulheres têm mais estudo, mas ganham menos que homens
Apesar de serem 52% da população, elas são 43% da força de trabalho
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As mulheres continuam sub-representadas no mercado de trabalho e recebem, em média, menos que os homens, mesmo tendo mais anos de estudo. Segundo o módulo de Trabalho e Rendimento do Censo 2022, divulgado pelo IBGE, 62,9% dos homens com 14 anos ou mais estavam ocupados quando a pesquisa foi feita, enquanto entre as mulheres essa proporção era de 44,9%. Assim, apesar de representarem 52% da população, elas correspondiam a apenas 43,6% da força de trabalho.
A presença feminina só foi maior em três dos dez grandes grupos ocupacionais: profissionais das ciências e intelectuais, trabalhadores de apoio administrativo e trabalhadores dos serviços e vendas. Nos demais, especialmente entre operadores de máquinas, montadores, militares, policiais e bombeiros, a participação das mulheres é bem menor. Em algumas atividades específicas, porém, elas predominam: são 93,1% nos serviços domésticos e mais de 70% nas áreas de saúde, serviços sociais e educação.
A desigualdade também aparece nos rendimentos. Enquanto os homens recebiam, em média, R$ 3.115 por mês, as mulheres ganhavam R$ 2.506 — uma diferença de R$ 609. Entre pessoas com ensino superior completo, a distância é ainda maior: homens ganhavam R$ 7.347, e mulheres, R$ 4.591, cerca de 60% do valor masculino. Mesmo assim, as mulheres eram mais instruídas: 28,9% tinham diploma universitário, contra 17,3% dos homens.
As diferenças salariais também variam conforme cor ou raça. Trabalhadores indígenas tiveram o menor rendimento médio (R$ 1.653), seguidos pelos pretos (R$ 2.061). Já pessoas amarelas registraram os maiores valores (R$ 5.942), seguidas pelos brancos (R$ 3.659). De forma geral, pretos, pardos e indígenas ganham menos que brancos e amarelos em todos os níveis de instrução.
Entre trabalhadores com ensino superior completo, essas desigualdades ficam ainda mais evidentes: indígenas recebiam R$ 3.799 — menos da metade do valor médio das pessoas amarelas (R$ 8.411). Pretos também ganhavam bem menos que brancos: R$ 4.175 contra R$ 6.547.
O nível de instrução também apresenta contrastes marcantes. Entre brancos e amarelos, há mais pessoas com ensino superior do que com escolaridade muito baixa. Já entre pretos, pardos e indígenas ocorre o oposto. No caso dos indígenas, 34,7% não completaram o ensino fundamental, e apenas 12,4% chegaram ao ensino superior.
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