Mundo • 07:57h • 23 de abril de 2025
Censo 2022 retrata melhorias na infraestrutura urbana no intervalo de uma década
Na comparação com o levantamento anterior, de 2010, aumentaram a presença de rampas para cadeirantes e a existência de calçadas e vias pavimentadas no País
Da Redação com informações do IBGE | Foto: Gabriel Borges/Secom-VR
Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que a maioria da população urbana do Brasil ainda vive em locais com pouca infraestrutura de acessibilidade. Das 174,2 milhões de pessoas que moram em áreas urbanas, 68,8% vivem em ruas sem rampas para cadeirantes. Em 2010, esse número era ainda maior: 95,2%.
Entre os estados, Mato Grosso do Sul lidera com 41,1% dos moradores em vias com rampas. Na outra ponta, o Amazonas tem o pior índice, com apenas 5,6%. Maringá (PR) se destaca entre as grandes cidades, com 77,3% dos moradores em vias acessíveis, enquanto Itapevi (SP) tem só 1,3%.
Os dados fazem parte da pesquisa “Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, divulgada nesta quarta (17) pelo IBGE. A apresentação ocorreu em Maceió (AL), com transmissão online.
Calçadas, ciclovias e obstáculos
A pesquisa também investigou a condição das calçadas. Apenas 18,8% da população vive em vias com calçadas livres de obstáculos. Os melhores índices estão no Sul e Sudeste, com destaque para Santos (SP), onde 64,5% dos moradores têm calçadas desobstruídas. Já Bacabal (MA) aparece com o pior resultado: 1%.
A presença de ciclovias também é baixa: apenas 1,9% da população vive em ruas com sinalização para bicicletas. Balneário Camboriú (SC) lidera entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, com 14%.
Outro dado inédito do Censo 2022 é a análise da capacidade de circulação nas vias. Mais de 90% da população vive em locais com circulação de caminhões ou ônibus. Em Salvador (BA), por exemplo, 17,9% dos moradores estão em ruas onde só é possível circular de carro ou van. Já em cidades como Recife, 16,1% vivem em trechos acessíveis apenas a pé, de bicicleta ou motocicleta.
Transporte público, iluminação e pavimentação
A presença de pontos de ônibus ou vans ainda é limitada: apenas 8,8% dos moradores têm esse equipamento próximo de casa. Juiz de Fora (MG) tem o maior percentual entre as cidades grandes (48,6%).
A iluminação pública é o item mais presente entre os avaliados: 97,5% da população vive em vias iluminadas. Já a pavimentação atinge 88,5% da população. No entanto, regiões como o Norte e Nordeste ainda apresentam grandes deficiências nesse aspecto.
Drenagem e arborização
Metade da população vive em ruas com bueiros ou bocas de lobo, essenciais para evitar alagamentos. Os melhores índices estão no Sul do país. Já no Piauí, apenas 11,6% das vias têm esse tipo de drenagem.
A arborização também foi analisada: 66% dos brasileiros vivem em vias com árvores. Maringá (PR) lidera entre as cidades grandes, com 98,6% dos moradores em ruas arborizadas. Já São José (SC) tem o menor índice (15,1%).
Diferenças por cor e raça
A pesquisa revela desigualdades no acesso à infraestrutura urbana. A população que se declara amarela tem os melhores índices em quase todos os quesitos, como ruas pavimentadas, presença de calçadas e rampas para cadeirantes. Na outra ponta, indígenas e pessoas pretas e pardas enfrentam mais dificuldade de acesso a esses equipamentos.
Estabelecimentos e entorno
O estudo também avaliou a infraestrutura no entorno de escolas, unidades de saúde e comércios. A iluminação pública está presente em quase todos. No entanto, a presença de rampas e pontos de ônibus ainda é limitada — especialmente nos estabelecimentos comerciais.
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