Educação • 09:41h • 03 de março de 2026
Censo Escolar 2025 aponta queda nas matrículas, mas avanço no acesso e no ensino integral
Levantamento do MEC e do Inep mostra redução de 1,08 milhão de alunos em relação a 2024, reflexo da mudança demográfica
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, que mostram redução no número total de matrículas, mas avanço em indicadores de acesso, permanência e qualidade da educação básica no país.
Neste ano, foram registrados 46,01 milhões de estudantes em 178,7 mil escolas públicas e privadas, o que representa queda de 2,29% em relação a 2024 — cerca de 1,08 milhão de alunos a menos. Segundo o Inep, a redução está ligada principalmente à diminuição da população em idade escolar, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos, e não a um aumento da evasão.
Dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a população de 0 a 3 anos caiu 8,4% entre 2022 e 2025. Ao mesmo tempo, a taxa de frequência escolar aumentou. Entre crianças de até 3 anos, o atendimento chegou a 39,8% em 2024. Já na faixa de 4 a 17 anos, em que a matrícula é obrigatória, a frequência alcança 97,2%. No grupo de 6 a 14 anos, o acesso está praticamente universalizado, com 99,5% frequentando a escola.
O ensino fundamental concentra 25,8 milhões de matrículas, o equivalente a 56% do total. No ensino médio, são 7,36 milhões de estudantes, número que vem caindo nos últimos anos, mas acompanhado por melhora nos indicadores de fluxo escolar. A taxa de distorção idade-série — que mede o percentual de alunos fora da série adequada para a idade — caiu de 25,3% em 2021 para 16% em 2025 no ensino médio. No 3º ano, a redução foi ainda mais expressiva, passando de 27,2% para 13,99%.
O ministro da Educação, Camilo Santana, atribui os resultados a políticas de permanência e combate à evasão, como o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio da rede pública inscritos no CadÚnico. Segundo ele, os dados indicam maior eficiência do sistema educacional, com menos repetência e mais alunos concluindo os estudos na idade adequada.
Na educação infantil, o acesso às creches atingiu 41,8% das crianças de 0 a 3 anos, o maior índice da série histórica e próximo da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE). Apenas em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas, com apoio federal. O governo também prevê investimentos de R$ 7,37 bilhões, por meio do Novo PAC, para construção de 1.670 novas creches.
Outro destaque do Censo é a ampliação do ensino em tempo integral. Entre 2021 e 2025, o percentual de matrículas em tempo integral na rede pública subiu de 15,1% para 25,8%, alcançando a meta do PNE. O maior crescimento ocorreu no ensino médio, onde o índice chegou a 26,8%. Segundo o MEC, foram investidos R$ 4 bilhões no Programa Escola em Tempo Integral desde 2023.
A conectividade nas escolas também avançou. O percentual de unidades com acesso à internet passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. Entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 3 bilhões para ampliar a conectividade, especialmente nas regiões com maior déficit, como o Norte.
A educação profissional e tecnológica (EPT) apresentou um dos crescimentos mais expressivos. Em cinco anos, o número de matrículas saltou 68,4%, passando de 1,89 milhão em 2021 para 3,18 milhões em 2025. Hoje, 20,1% das matrículas do ensino médio regular da rede pública estão articuladas à formação técnica — o dobro do registrado no período pós-pandemia.
As redes estaduais concentram 81,7% das matrículas da EPT pública. O modelo mais comum é o ensino médio integrado ao curso técnico, com 1,2 milhão de estudantes. Os cursos mais procurados são administração, enfermagem, informática e desenvolvimento de sistemas, com destaque para os eixos de gestão e negócios, ambiente e saúde e informação e comunicação.
Apesar dos avanços, o Censo evidencia desigualdades raciais. A distorção idade-série é maior entre estudantes pretos e pardos em todas as etapas. No ensino médio, 19,3% dos jovens negros estão atrasados nos estudos, contra 10,9% dos brancos.
O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Inep e reúne dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades da educação básica. As informações servem de base para formulação e monitoramento de políticas públicas, além de orientar a distribuição de recursos para merenda, transporte, livros didáticos e infraestrutura escolar.
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