Saúde • 11:06h • 07 de julho de 2026
Ceratocone: com aumento de casos, conheça sintomas e entenda a importância do diagnóstico precoce
Quadro tem levado mais brasileiros aos consultórios médicos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
A ceratocone, doença que provoca a deformação da córnea, tem levado um número crescente de brasileiros aos consultórios oftalmológicos. Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos aumentaram 77,6% entre 2023 e 2025, passando de 18.026 para 32.018 casos. A condição é mais comum entre pessoas de 10 a 30 anos e pode continuar evoluindo durante a terceira década de vida, comprometendo a qualidade da visão com imagens borradas, distorcidas e perda de nitidez.
A doença ocorre quando a córnea, que normalmente possui formato arredondado, torna-se progressivamente mais fina e assume uma forma cônica e irregular. Essa alteração está associada a fatores genéticos e a traumas repetitivos, principalmente o hábito de coçar os olhos. Entre os primeiros sintomas estão visão embaçada, dores de cabeça frequentes, sensibilidade intensa à luz e coceira nos olhos. Como esses sinais podem ser confundidos com outras doenças oculares, a avaliação de um oftalmologista é fundamental.
Segundo o oftalmologista Samir El Faro, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), exames como topografia e paquimetria da córnea permitem confirmar o diagnóstico ao avaliar a curvatura e a espessura do tecido. De acordo com o especialista, a doença é frequentemente observada em pessoas com alergias e atopias, como conjuntivite alérgica, rinite, dermatite atópica e asma, que costumam esfregar os olhos com frequência.
O diagnóstico precoce é decisivo para controlar a evolução da doença. Nos estágios iniciais, o tratamento pode incluir óculos ou lentes de contato especiais para melhorar a visão e, em alguns casos, procedimentos capazes de estabilizar o quadro. Quando a doença é identificada tardiamente, a deformação da córnea pode se tornar mais intensa, tornando o tratamento mais complexo.
As opções cirúrgicas variam conforme o estágio do ceratocone. Nos casos iniciais, o procedimento mais indicado é o crosslinking, que fortalece as fibras de colágeno da córnea e ajuda a impedir a progressão da doença. Em quadros moderados, pode ser realizado o implante do Anel de Ferrara, que busca regularizar o formato da córnea e melhorar a qualidade da visão. Já nos casos mais graves, quando essas alternativas não são suficientes, pode ser necessário o transplante de córnea para substituir o tecido comprometido.
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