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Saúde • 09:19h • 29 de julho de 2026

Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional

Pesquisadores da UFRJ mostraram correlação em estudo

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, mais conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulos e espermatozóides dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial).
A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, mais conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulos e espermatozóides dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial).

Cesariana pode aumentar em 45% o risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que se origina em células da placenta e se desenvolve no útero. A descoberta faz parte de um estudo conduzido por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A doença é uma evolução mais grave da doença trofoblástica gestacional, conhecida popularmente como mola gestacional. O problema ocorre quando uma fertilização anormal gera uma formação irregular da placenta, podendo ocorrer sem a presença de feto ou com um feto inviável.

Em até 20% dos casos, as células da mola permanecem no útero e podem evoluir para a neoplasia trofoblástica gestacional. No Brasil, a doença trofoblástica atinge de uma a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil casos de neoplasia registrados por ano.

Estudo analisou quase 3 mil pacientes

A pesquisa avaliou dados de 2.904 mulheres atendidas pela Maternidade Escola da UFRJ e pelo Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, entre 2002 e 2022.

Do total, 468 pacientes tinham histórico de cesariana e 2.436 não haviam passado pelo procedimento. Entre as mulheres submetidas à cirurgia, 26,5% desenvolveram neoplasia, enquanto o índice foi de 20,8% entre aquelas sem histórico de cesárea.

Após considerar outros fatores de risco, os pesquisadores concluíram que a cesariana anterior aumenta de forma independente a probabilidade de desenvolvimento da doença.

A principal hipótese é que a cicatriz deixada pela cirurgia no útero possa alterar a resposta imunológica, favorecer mudanças nos vasos sanguíneos e facilitar a invasão das células da mola.

“A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. É como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invasão para entrar no útero e levar ao câncer”, explica a médica obstetra Gabriela Paiva, líder do estudo.

Impacto no cenário brasileiro

Os pesquisadores destacam que o resultado é relevante para o Brasil, país que apresenta uma das maiores taxas de cesarianas do mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que cerca de 15% dos partos sejam realizados por cirurgia, o índice brasileiro chega a aproximadamente 55%.

Segundo o professor de obstetrícia Antônio Braga, coordenador do ambulatório da UFRJ, a cesariana continua sendo um procedimento essencial quando há indicação médica, mas deve ser realizada de forma criteriosa.

Para os especialistas, o estudo acrescenta a neoplasia trofoblástica gestacional como mais uma possível consequência de longo prazo associada ao parto cesáreo, ao lado de outros riscos já conhecidos, como ruptura uterina, alterações de placenta e parto prematuro.

Redução de cesáreas poderia evitar casos

A pesquisa estima que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas no país, levando o índice para cerca de 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer de placenta por ano, o equivalente a uma redução de 6,1% na incidência anual estimada.

Apesar da associação encontrada, os pesquisadores não recomendam tratamentos mais agressivos para mulheres que tiveram cesariana e desenvolveram a doença. A principal orientação é ampliar o acompanhamento dessas pacientes desde o diagnóstico da mola gestacional.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento da neoplasia trofoblástica gestacional pode envolver a retirada do conteúdo uterino por aspiração, sessões de quimioterapia e acompanhamento dos níveis do hormônio HCG, produzido durante a gravidez e também nos casos de mola.

A retirada do útero por histerectomia é indicada apenas em situações específicas, conforme avaliação médica. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado aumentam as chances de controle e cura da doença.

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