Ciência e Tecnologia • 18:27h • 03 de junho de 2026
CFM reconhece tratamento inovador para câncer de próstata e amplia acesso ao HIFU no Brasil
Técnica minimamente invasiva utiliza ultrassom de alta intensidade e busca reduzir sequelas comuns em tratamentos tradicionais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu oficialmente o HIFU, sigla para Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade, como procedimento não experimental no Brasil para tratamento do câncer de próstata. A decisão representa um avanço para a uro-oncologia e amplia a segurança regulatória para adoção de terapias menos invasivas no país.
O método é utilizado no tratamento do câncer de próstata localizado e funciona por meio de ondas de ultrassom concentradas, capazes de destruir tecidos tumorais sem necessidade de cortes ou radioterapia.
Segundo especialistas, a principal proposta do HIFU é reduzir impactos funcionais frequentemente associados a tratamentos radicais, como cirurgia e radioterapia.
Tratamento busca reduzir sequelas e acelerar recuperação
De acordo com o urologista e uro-oncologista Marcelo Bendhack, presidente da Sociedade Latino-Americana de Uro-Oncologia, a técnica permite tratar o tumor de forma mais precisa e com menor comprometimento da qualidade de vida do paciente.
O procedimento é considerado minimamente invasivo, geralmente com internação entre 12 e 24 horas e recuperação mais rápida em comparação a abordagens tradicionais.
Entre os principais benefícios apontados em estudos internacionais estão menores índices de incontinência urinária e disfunção erétil, efeitos que costumam preocupar pacientes diagnosticados com câncer de próstata.
Técnica já é usada em dezenas de países
O HIFU possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2008 e também é autorizado por órgãos reguladores internacionais, como o FDA, nos Estados Unidos.
Segundo os dados apresentados, a tecnologia já é utilizada em mais de 48 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França e Japão.
No Brasil, o primeiro procedimento com HIFU foi realizado em 2011, em Curitiba. Desde então, a técnica vem sendo aplicada em centros especializados e acumulando experiência clínica.
Estudos apontam alta taxa de controle da doença
Pesquisas internacionais citadas pelos especialistas indicam taxas elevadas de controle oncológico em determinados perfis de pacientes, além de sobrevida câncer-específica próxima de 98% em alguns grupos analisados.
Outra característica apontada pelos médicos é a possibilidade de reaplicação do tratamento ou associação com outras terapias em casos de recorrência da doença.
Segundo Bendhack, o reconhecimento do CFM consolida anos de pesquisas científicas e discussões técnicas envolvendo a segurança e eficácia do procedimento.
Câncer de próstata segue entre os mais comuns no Brasil
O câncer de próstata continua sendo o tumor mais frequente entre homens brasileiros quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam estimativa superior a 71 mil novos casos anuais da doença no país, número que pode chegar a 78 mil casos por ano entre 2026 e 2028.
Especialistas destacam que o avanço de tratamentos menos invasivos busca justamente equilibrar eficácia no combate ao câncer e preservação da qualidade de vida dos pacientes.
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