Ciência e Tecnologia • 12:03h • 04 de fevereiro de 2026
ChatGPT Health amplia acesso à informação, mas não substitui o médico, dizem especialistas
Ferramenta da OpenAI amplia acesso à informação em saúde, mas exige cautela para evitar autodiagnóstico e atrasos no cuidado médico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SevenPR Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O lançamento do ChatGPT Health, nova funcionalidade da OpenAI voltada à área da saúde, reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial no cuidado médico. Apresentada como uma ferramenta de apoio à compreensão de informações e à organização do bem-estar, a novidade permite integrar dados de aplicativos de saúde e obter respostas contextualizadas sobre exames, sintomas e rotinas, mas não substitui a avaliação clínica de um profissional.
A chegada da ferramenta ocorre em um cenário em que o uso de chatbots para temas de saúde já é comum. Segundo a Kaiser Family Foundation (KFF), cerca de 17% dos adultos nos Estados Unidos utilizam chatbots de IA ao menos uma vez por mês para buscar informações médicas. Entre jovens, o crescimento também chama atenção. Estudo publicado no JAMA Network Open indica que 13,1% de pessoas entre 12 e 21 anos já recorreram à IA generativa para questões relacionadas à saúde mental. A própria OpenAI afirma que saúde e bem-estar estão entre os usos mais frequentes do ChatGPT, com centenas de milhões de perguntas semanais.
Para o médico Victor Soares, da SegMedic, rede de clínicas ambulatoriais do Rio de Janeiro, o principal ponto de atenção é o comportamento do paciente diante de respostas que soam seguras e definitivas. Segundo ele, a IA pode ser útil como ferramenta informativa, mas se torna um risco quando passa a ocupar o lugar do médico. “A interface em formato de conversa cria uma sensação de consulta real. Isso pode gerar excesso de confiança e levar pessoas a adiar diagnósticos importantes quando sinais de alerta são minimizados por respostas aparentemente bem estruturadas”, afirma.
Onde a IA ajuda e onde começa o risco
De acordo com o especialista, a inteligência artificial pode contribuir positivamente quando utilizada como apoio à educação em saúde. Explicar termos técnicos, ajudar o paciente a organizar sintomas, preparar perguntas para a consulta e reforçar práticas preventivas são exemplos de uso adequado. “O ganho está em chegar melhor preparado ao consultório, não em sair com uma decisão tomada antes de falar com um médico”, pontua.
O risco maior está no autodiagnóstico e na interpretação isolada das respostas. “A medicina depende de exame físico, histórico clínico, contexto de vida e nuances que o texto não captura. Além disso, sistemas de IA podem gerar informações incorretas com tom convincente, o que aumenta o perigo do erro”, alerta Soares. Para ele, a linha é clara: informar e orientar é aceitável, prescrever condutas ou desencorajar a consulta médica não é.
Relação médico-paciente entra em nova fase
Com mais pacientes chegando aos consultórios munidos de respostas obtidas por IA, o desafio passa a ser a mediação dessas informações. A recomendação da SegMedic é tratar o fenômeno como oportunidade de educação, não de confronto. “O papel do médico se fortalece como curador da realidade clínica. Cabe ao profissional contextualizar, confirmar ou descartar hipóteses e explicar o que a tecnologia não consegue ver”, explica.
Privacidade e uso responsável
Outro ponto de atenção envolve a proteção de dados. Especialistas alertam que plataformas abertas não oferecem o mesmo nível de sigilo de um ambiente clínico. “Inserir informações sensíveis, imagens de exames ou dados identificáveis em chats públicos cria um rastro digital. O uso responsável passa por entender que esses sistemas não são consultórios”, reforça o médico.
Recomendações para o uso seguro da IA em saúde
Especialistas indicam algumas diretrizes básicas para o público:
- Utilizar a IA para entender conceitos, organizar sintomas e preparar a consulta médica;
- Desconfiar de respostas que pareçam conclusivas ou incentivem autotratamento;
- Buscar atendimento presencial diante de sintomas persistentes ou agravamento do quadro;
- Evitar compartilhar dados pessoais, exames ou informações sensíveis em plataformas abertas.
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