Saúde • 11:27h • 07 de abril de 2026
Chikungunya na gestação aumenta risco de hospitalização infantil, aponta estudo
Pesquisa da Fiocruz revela que exposição ao vírus ainda no útero pode elevar em até 35% as chances de internação nos primeiros anos de vida
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Fiocruz | Foto: Arquivo Âncora1
Crianças expostas ao vírus da chikungunya ainda durante a gestação têm maior risco de hospitalização nos primeiros anos de vida. É o que aponta um estudo publicado na revista Nature, conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia. Segundo a análise, o risco é 21% maior para casos de infecção intrauterina e pode dobrar quando o contato com o vírus ocorre no momento do parto.
O período da infecção materna também influencia. Quando a gestante contrai chikungunya no primeiro ou segundo trimestre, as chances de hospitalização da criança aumentam em 25% e 35%, respectivamente.
A pesquisa acompanhou cerca de 1,8 mil crianças nascidas de mães infectadas entre 2015 e 2018, comparando os dados com outros 18 mil casos sem exposição ao vírus. O monitoramento foi feito até os três anos de idade, considerando fatores como hospitalizações, condições socioeconômicas e acesso à saúde.
Os resultados indicam que a exposição precoce ao vírus pode gerar impactos duradouros, mesmo sem sinais aparentes ao nascimento. Em muitos casos, os efeitos se manifestam ao longo do desenvolvimento da criança, o que pode dificultar a identificação do problema.
O estudo também chama atenção para a vulnerabilidade social como fator de risco. Gestantes que vivem em áreas com condições precárias de saneamento estão mais expostas ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti, que também é responsável por doenças como dengue e zika.
Diante dos achados, os pesquisadores recomendam reforço no acompanhamento pré-natal de gestantes infectadas e monitoramento contínuo das crianças nos primeiros anos de vida. Também destacam a necessidade de investimentos em prevenção, vigilância epidemiológica e controle do mosquito, especialmente em regiões mais vulneráveis.
O Brasil concentra atualmente a maior parte dos casos de chikungunya no mundo, mas a tendência é de expansão da doença para outros países, impulsionada pelas mudanças climáticas.
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