Gastronomia & Turismo • 20:52h • 15 de julho de 2026
Chuva, calor e apagões: El Niño pode mudar rotina de bares e restaurantes
Chuva acima da média, calor intenso e estiagem podem afetar conservação de alimentos, consumo de energia e movimento dos estabelecimentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Abrasel | Foto: Divulgação
A possibilidade de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses acendeu o alerta para bares e restaurantes em diferentes regiões do Brasil. O fenômeno pode provocar excesso de chuva no Sul, temperaturas acima da média em grande parte do país e períodos de estiagem no Nordeste e em áreas da Região Norte.
Segundo o Painel El Niño de junho, produzido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. A chance de atingir intensidade forte é maior entre julho, agosto e setembro.
Para o setor de alimentação fora do lar, os efeitos podem aparecer diretamente na rotina dos estabelecimentos, com mudanças no movimento dos clientes, aumento do consumo de energia, riscos à conservação dos alimentos e necessidade de adaptação da operação.
Chuva pode mudar movimento e fortalecer delivery
Entre julho e setembro, a Região Sul deve registrar volumes de chuva acima da faixa normal. Em situações de temporais, enchentes ou alagamentos, os cuidados envolvem desde a avaliação da rede elétrica até a higienização dos estabelecimentos e o descarte de alimentos que tenham entrado em contato com a água.
Períodos de chuva intensa também costumam alterar o comportamento dos consumidores, que podem evitar sair de casa. Nesse cenário, delivery e retirada no estabelecimento, conhecida como take away, tornam-se alternativas para manter as vendas e atender clientes por outros canais.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mantém cartilhas gratuitas com orientações sobre recuperação após enchentes, implantação de delivery e organização da modalidade de retirada.
Calor aumenta pressão sobre energia e conservação dos alimentos
Para praticamente todo o território nacional, a previsão aponta maior probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre. O calor aumenta o uso de equipamentos de refrigeração e climatização e exige atenção especial à temperatura de freezers e refrigeradores.
Em caso de falta de energia, refrigeradores podem conservar alimentos por até quatro horas e freezers por até 48 horas, desde que permaneçam fechados. A orientação é monitorar as temperaturas, desligar equipamentos não essenciais e reorganizar rapidamente o uso dos produtos perecíveis.
“O El Niño não afeta o país de forma igual, e é justamente essa variação regional que exige atenção redobrada do empresário. Quem antecipa o cenário e ajusta sua operação chega ao segundo semestre com menos prejuízo e com um cliente mais bem atendido”, afirma Luiza Campos, líder de ASG da Abrasel.
Estiagem e pragas também entram no radar
Enquanto o Sul enfrenta risco de excesso de chuva, partes do Nordeste e das regiões Norte e Centro-Oeste podem conviver com períodos mais secos. Para bares e restaurantes, o cenário reforça a necessidade de controlar o consumo de água e adotar equipamentos mais eficientes.
Calor e umidade também podem favorecer a presença de baratas, roedores e outros vetores urbanos. Medidas como instalação de telas, fechamento adequado de ralos, armazenamento dos alimentos longe do piso e capacitação das equipes ajudam na prevenção.
Para a Abrasel, a adaptação às mudanças climáticas deve passar a integrar o planejamento permanente dos negócios. As cartilhas com orientações para diferentes situações estão disponíveis gratuitamente na plataforma Conexão Abrasel.
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