Saúde • 08:17h • 09 de abril de 2026
Cientistas descobrem como a obesidade do pai afeta o metabolismo dos filhos
Experimentos com roedores mostram que moléculas presentes nos espermatozoides 'transmitem' a disfunção metabólica aos descendentes, que se tornam pré-diabéticos, mas fenômeno é reversível com a perda de peso antes da concepção
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Estudos científicos já mostram que a obesidade, tanto da mãe quanto do pai, pode influenciar a saúde dos filhos, aumentando o risco de doenças metabólicas. Uma nova pesquisa revelou como esse processo pode acontecer a partir do pai, por meio do espermatozoide.
Em testes com camundongos, os filhotes de machos obesos nasceram com peso normal, mas ao longo do tempo desenvolveram problemas como intolerância à glicose e resistência à insulina, condições associadas ao diabetes tipo 2. Os cientistas chamaram esse quadro de “disfunção metabólica silenciosa”, já que não há sinais visíveis no início.
Por outro lado, o estudo mostrou que a perda de peso dos pais pode reverter esse efeito. Quando os machos emagreceram, as alterações presentes no sêmen desapareceram — resultado que também foi observado em análises com humanos.
Os pesquisadores acompanharam os animais por meses e perceberam que, mesmo sem ganho de peso, o metabolismo dos filhotes já apresentava alterações. Os efeitos foram mais intensos nos machos do que nas fêmeas.
A explicação está em pequenas moléculas chamadas microRNAs, que ajudam a regular o funcionamento dos genes. Nos animais obesos, houve aumento de um tipo específico, chamado let-7, tanto no tecido adiposo quanto no esperma. Durante a fecundação, essas moléculas são transmitidas ao embrião.
No desenvolvimento inicial, o excesso de let-7 interfere na produção de uma enzima importante para o funcionamento celular, chamada DICER. Isso prejudica a produção de energia nas células e altera, de forma duradoura, o metabolismo do organismo.
Para confirmar essa relação, os cientistas injetaram o microRNA em embriões de animais saudáveis. Mesmo sem pais obesos, os filhotes desenvolveram os mesmos problemas metabólicos.
Em outro experimento, camundongos obesos passaram por dieta até normalizar o peso. Após esse processo, os níveis da molécula voltaram ao normal, e os filhotes nasceram saudáveis.
O mesmo padrão foi observado em um grupo de homens com obesidade. Após mudanças no estilo de vida e perda de peso, houve redução significativa dessas moléculas no sêmen.
Os pesquisadores destacam que a saúde do pai antes da concepção pode influenciar diretamente o desenvolvimento dos filhos. Fatores como alimentação inadequada, excesso de peso, estresse ou doenças podem impactar a qualidade do esperma e, consequentemente, a saúde das futuras gerações.
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