Saúde • 14:33h • 04 de outubro de 2026
Cientistas identificam por que vaginose bacteriana pode voltar mesmo após tratamento
Pesquisadores testam novas combinações e períodos mais longos de antibióticos após identificarem dois caminhos diferentes para o retorno da condição
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Monash | Foto: Divulgação
Pesquisadores da Monash University e do Melbourne Sexual Health Centre, na Austrália, estão testando novas combinações e períodos mais longos de tratamento com antibióticos contra a vaginose bacteriana persistente. A estratégia surge após estudos identificarem que a recorrência pode acontecer por dois caminhos distintos: reinfecção sexual ou permanência das bactérias associadas à condição mesmo depois da terapia inicial.
A vaginose bacteriana é a condição vaginal mais comum entre mulheres em idade reprodutiva e ocorre quando há redução das bactérias consideradas saudáveis e crescimento excessivo de outros microrganismos, provocando um desequilíbrio no microbioma vaginal.
Em 2025, o mesmo grupo publicou no New England Journal of Medicine um estudo que mudou a compreensão sobre a recorrência da vaginose. Os pesquisadores demonstraram que tratar simultaneamente os parceiros masculinos reduziu em mais de 60% a recorrência entre as mulheres.
A descoberta reforçou a participação da transmissão sexual na condição e abriu caminho para investigar por que, mesmo com o tratamento do casal, algumas pacientes continuam apresentando novos episódios.
Estudo identifica duas causas para o retorno
A pesquisa mais recente, publicada no The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, identificou dois mecanismos relacionados à repetição do diagnóstico. Um deles é a reinfecção e o outro é a persistência das bactérias associadas à vaginose após o tratamento inicial.
Segundo os pesquisadores, em algumas mulheres essas bactérias conseguem sobreviver à primeira terapia e permanecem presentes antes mesmo de o casal retomar as relações sexuais. A identificação precoce desse quadro pode permitir tratamentos mais intensivos direcionados à paciente.
A equipe agora avalia períodos maiores de tratamento e novas combinações de antibióticos com o objetivo de eliminar as bactérias persistentes. A proposta é combinar essa estratégia ao tratamento do parceiro, reduzindo simultaneamente os riscos de persistência e reinfecção.
Objetivo é aumentar as taxas de cura
Os pesquisadores esperam que a diferenciação entre os mecanismos permita tratamentos mais individualizados. Em vez de utilizar uma única abordagem para todos os casos recorrentes, a estratégia poderá considerar a razão pela qual a vaginose retornou.
Os novos esquemas ainda estão sendo testados. A expectativa da equipe é aumentar as taxas de cura da vaginose bacteriana persistente, condição que afeta milhões de mulheres em todo o mundo.
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