Saúde • 20:35h • 04 de junho de 2026
Cigarro voltou a circular entre jovens e médicos fazem alerta sobre nova onda de fumantes
Especialistas apontam crescimento do uso de cigarros eletrônicos e aumento da aceitação social da nicotina em festas, bares e redes sociais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lettera | Foto: Divulgação
Depois de anos de queda no tabagismo e fortalecimento da Lei Antifumo no Brasil, médicos voltaram a observar um fenômeno que parecia perder espaço: o aumento do consumo de nicotina entre jovens. O avanço dos cigarros eletrônicos, popularizados pelos chamados “vapes”, tem preocupado especialistas pela facilidade de acesso, aparência tecnológica e falsa sensação de menor risco.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de fumantes no Brasil cresceu 25% entre 2023 e 2024. O cenário reacende alertas sobre doenças respiratórias, dependência química e impactos financeiros no sistema público de saúde.
A pneumologista Bianca Espíndula, da Hapvida, afirma que o país vinha sendo referência internacional no combate ao tabagismo, mas os dispositivos eletrônicos alteraram o comportamento de consumo entre adolescentes e jovens adultos.
Vapes mudaram a relação social com o cigarro
Diferente do cigarro tradicional, os dispositivos eletrônicos costumam chegar ao público com visual moderno, sabores adocicados e forte presença nas redes sociais.
Segundo especialistas, isso reduziu parte da rejeição social construída ao longo das últimas décadas e aproximou novamente a nicotina de ambientes frequentados por jovens, como festas, bares e eventos.
A médica alerta que a normalização do cigarro eletrônico enfraquece campanhas de prevenção e facilita o primeiro contato com a dependência química. Além disso, muitos usuários acreditam que o vape seria menos prejudicial à saúde, algo que os especialistas contestam.
“Não existe consumo seguro de nicotina”
Segundo Bianca Espíndula, não existe quantidade segura de consumo de nicotina, mesmo entre pessoas que fumam apenas em situações sociais. Ela explica que o organismo já sofre inflamações desde as primeiras exposições à fumaça ou ao vapor inalado, principalmente porque muitos dispositivos possuem altas concentrações de nicotina.
Outro ponto de preocupação envolve substâncias presentes nos cigarros eletrônicos, incluindo metais pesados e compostos tóxicos associados a lesões pulmonares graves.
Entre os quadros observados está a EVALI, doença pulmonar relacionada ao uso de vapes e que pode levar pacientes jovens à internação em UTI.
Fumo passivo também preocupa especialistas
Os riscos não atingem apenas quem fuma. A pneumologista alerta que a fumaça do cigarro e o vapor exalado pelos dispositivos eletrônicos também afetam pessoas próximas, principalmente crianças.
Segundo Bianca, crianças expostas ao fumo passivo apresentam maior risco de crises de asma, bronquite, pneumonias e infecções respiratórias.
O debate ganha ainda mais força neste 31 de maio, data marcada pelo Dia Mundial Sem Tabaco, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientização sobre os impactos do tabagismo.
Corpo costuma dar sinais rapidamente
Embora muitos jovens associem os riscos do cigarro apenas ao futuro, especialistas afirmam que o corpo costuma reagir rapidamente ao consumo frequente de nicotina.
Entre os primeiros sinais observados estão falta de fôlego, tosse persistente, cansaço físico, perda de paladar e olfato, infecções respiratórias frequentes, envelhecimento precoce da pele e alterações dentárias.
A orientação médica é buscar ajuda especializada o quanto antes para interromper o consumo e evitar agravamentos futuros.
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