Saúde • 13:10h • 25 de julho de 2026
Ciência avança no tratamento do zumbido e passa a focar no cérebro, não apenas no ouvido
Especialista explica que abordagens atuais atuam no cérebro, e não apenas no ouvido, oferecendo novas perspectivas para quem convive com o sintoma
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Âncora1
Durante muitos anos, pessoas que conviviam com zumbido no ouvido ouviam que precisariam simplesmente aprender a lidar com o problema. Hoje, porém, os avanços da ciência têm mudado esse cenário. Segundo especialistas do Hospital CEMA, novas estratégias terapêuticas passaram a focar no funcionamento do cérebro, ampliando as possibilidades de controle do sintoma e de recuperação da qualidade de vida.
A nova abordagem é liderada pela área de Otoneurologia da instituição, que trata o zumbido como um fenômeno relacionado à forma como o cérebro processa os sons, e não apenas como uma alteração do sistema auditivo.
Cérebro pode intensificar a percepção do zumbido
De acordo com a otorrinolaringologista Tatiana Lima, especialista em Otoneurologia, o zumbido está frequentemente associado a um mecanismo conhecido como plasticidade neural mal-adaptativa.
Segundo ela, quando ocorre uma perda auditiva, mesmo discreta, o cérebro tenta compensar a redução dos estímulos sonoros aumentando a atividade dos circuitos responsáveis pela audição, o que pode resultar na percepção constante de um ruído.
"Quando existe uma perda auditiva, mesmo que pequena, o cérebro entra em um modo de compensação, tornando-se hiperexcitável na tentativa de captar estímulos. Esse ganho artificial nos circuitos gera a percepção de um ruído constante", explica.
Novas terapias buscam reequilibrar os circuitos neurais
Entre os avanços destacados pelo Hospital CEMA está a utilização de técnicas de neuromodulação, que empregam estímulos específicos para ajudar a regular a atividade das redes neurais relacionadas à audição.
Outra alternativa são as terapias bimodais, que associam estímulos sonoros a estímulos sensoriais em outras regiões do corpo com o objetivo de modificar a forma como o cérebro processa os sons.
Além disso, aparelhos auditivos modernos também podem desempenhar um papel importante na reabilitação ao restaurar estímulos sonoros que ajudam o cérebro a reduzir os mecanismos de compensação.
Especialista alerta para promessas de cura rápida
Apesar dos avanços, a médica ressalta que o tratamento do zumbido deve ser individualizado e baseado em evidências científicas.
Ela alerta que promessas de soluções imediatas ou produtos divulgados como "cura definitiva" nas redes sociais podem criar falsas expectativas e atrasar o tratamento adequado.
Segundo a especialista, a investigação costuma incluir fatores como ansiedade, alterações metabólicas e outras condições que podem influenciar o quadro clínico.
Tratamento busca devolver qualidade de vida ao paciente
A proposta das abordagens atuais não é apenas mascarar o ruído, como ocorria em tratamentos mais antigos, mas atuar na reeducação dos circuitos cerebrais envolvidos na percepção do zumbido.
Com acompanhamento especializado, o objetivo é reduzir o impacto do sintoma na rotina e permitir que o paciente recupere bem-estar e qualidade de vida.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos