Ciência e Tecnologia • 12:17h • 13 de junho de 2026
Ciência nuclear brasileira combate poluição por microplásticos
Com unidade móvel capaz de tratar um milhão de litros de efluentes por dia e parceria estratégica com a AIEA, o MCTI transforma pesquisa de ponta em solução prática para a despoluição das águas e proteção da saúde pública
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Ipen/Cnen
A ciência nuclear brasileira está sendo usada no combate à poluição causada por microplásticos por meio de uma tecnologia inovadora desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Uma das principais ferramentas é uma Unidade Móvel de Demonstração Tecnológica equipada com um acelerador de elétrons de última geração. Instalado em um caminhão, o sistema utiliza energia elétrica para gerar feixes de elétrons capazes de degradar poluentes presentes na água, incluindo microplásticos e resíduos químicos.
Durante o processo, a água contaminada passa por uma intensa emissão de elétrons em alta velocidade. Essa energia rompe as moléculas dos poluentes, transformando-as em estruturas menores e menos nocivas, o que facilita a descontaminação antes que a água seja devolvida ao meio ambiente.
A solução apresenta vantagens importantes para a indústria e para o setor de saneamento. Além de permitir o reaproveitamento da água tratada, o método dispensa o uso de reagentes químicos e já demonstrou eficiência em condições reais de operação. Atualmente, a unidade móvel tem capacidade para tratar até 1 milhão de litros de água por dia.
Além da descontaminação, os pesquisadores utilizam técnicas nucleares para monitorar a origem e o comportamento dos microplásticos nos oceanos. Por meio de traçadores isotópicos — substâncias que funcionam como marcadores invisíveis — é possível identificar de onde vêm os resíduos, como eles se deslocam pelas correntes marítimas e em quais regiões tendem a se acumular.

Foto: Ascom/MCTI
Essas informações ajudam a construir mapas globais da poluição por plástico e fornecem dados importantes para pesquisas e formulação de políticas públicas.
Os especialistas destacam que o uso da tecnologia nuclear nesse contexto não representa riscos de radiação para as pessoas ou para o meio ambiente. A técnica é empregada apenas como uma ferramenta de alta precisão para análise e tratamento de contaminantes.
Os microplásticos, definidos como partículas plásticas com menos de cinco milímetros de diâmetro, representam um desafio crescente para o meio ambiente e para a saúde pública. Como não são totalmente removidos pelos sistemas convencionais de tratamento de esgoto, acabam alcançando rios, mares e oceanos.
Entre os principais riscos estão a entrada dessas partículas na cadeia alimentar, já que podem ser ingeridas por peixes e crustáceos e, posteriormente, chegar ao consumo humano. Além disso, os microplásticos funcionam como superfícies capazes de concentrar substâncias tóxicas, como pesticidas e metais pesados, aumentando os impactos sobre os organismos vivos.
Outro problema é que essas partículas podem servir de veículo para bactérias e outros microrganismos, contribuindo para a disseminação de agentes potencialmente nocivos em diferentes ecossistemas.
O Brasil também participa ativamente da rede internacional Nutec (Nuclear Technology for Controlling Plastic Pollution), coordenada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Por meio do Ipen, pesquisadores brasileiros realizam o monitoramento sistemático de microplásticos em áreas consideradas críticas, compartilhando os resultados com laboratórios de diversos países.
As informações obtidas ajudam a ampliar o conhecimento sobre a poluição plástica nos oceanos e fortalecem a criação de estratégias baseadas em evidências científicas para enfrentar um dos maiores desafios ambientais da atualidade.
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