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Ciência e Tecnologia • 16:06h • 24 de dezembro de 2025

Cirurgia robótica: câncer de próstata avança e recebe parecer final favorável para incorporação no SUS

Tecnologia responde por cerca de 6 em cada 10 cirurgias oncológicas feitas com robô no país e marca a primeira incorporação da robótica em oncologia no sistema público

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sensu Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1

SUS caminha para incorporar cirurgia robótica no tratamento do câncer de próstata
SUS caminha para incorporar cirurgia robótica no tratamento do câncer de próstata

A cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata deu um passo histórico no Brasil. Em reunião realizada em Brasília a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, emitiu parecer final favorável à incorporação da prostatectomia radical assistida por robô para pacientes com câncer de próstata localizado ou localmente avançado. A decisão representa a primeira incorporação de cirurgia robótica em oncologia no Sistema Único de Saúde, cerca de duas décadas após o início do uso dessa tecnologia no país.

O avanço ocorre em um contexto em que a cirurgia de próstata já concentra a maior parte dos procedimentos oncológicos realizados com robôs no Brasil. Estimativas apontam que aproximadamente 65% das cirurgias de câncer feitas com auxílio robótico são direcionadas à próstata, reflexo da precisão exigida nesse tipo de procedimento e dos benefícios clínicos associados à técnica.

Experiência acumulada e impacto nos resultados

Ao longo da última década, mais de 5 mil cirurgias robóticas foram realizadas no Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica, considerado referência nacional tanto na assistência a pacientes quanto na formação de profissionais habilitados a operar sistemas robóticos. Nesse período, cerca de 65% dos procedimentos da instituição foram realizados em pacientes com câncer de próstata.

A principal indicação da robótica nesse tipo de tumor está relacionada à precisão da técnica. Em comparação com outras abordagens cirúrgicas, a prostatectomia assistida por robô está associada a menor risco de incontinência urinária e disfunção erétil no pós-operatório, além de benefícios comuns a outros tipos de câncer, como menor sangramento e redução do tempo de internação hospitalar.

Pioneiro no uso da robótica para tumores do trato urinário, como próstata, rim e bexiga, o IUCR também atua na capacitação de novos cirurgiões. Atualmente, são mais de 10 programas implantados no Brasil, com mais de 200 médicos treinados por meio do Programa de Consultoria e Capacitação em Cirurgia Robótica da instituição.

Segundo o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do IUCR e coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a formação profissional é parte central da consolidação da tecnologia. “O nosso programa tem como objetivo apoiar as instituições de saúde em todas as fases de implantação ou ampliação do programa robótico, formando cirurgiões e profissionais envolvidos com a cirurgia”, afirma.

Avanços tecnológicos e precisão cirúrgica

Nas últimas décadas, a cirurgia robótica passou por uma evolução significativa, com melhorias na instrumentação, visualização em 3D e precisão dos movimentos. Sistemas amplamente utilizados no mundo, como os desenvolvidos pela Intuitive Surgical, incorporaram sucessivas atualizações que ampliaram a segurança e a capacidade de atuação em áreas antes consideradas de alto risco.

De acordo com Guimarães, a robótica permite procedimentos mais delicados, com menor dano aos tecidos ao redor do tumor. A tecnologia também oferece ergonomia aprimorada para os cirurgiões, integração com realidade aumentada e uso de instrumentos miniaturizados, fatores que contribuem para melhores desfechos clínicos.

Em cirurgias oncológicas, diferenças mínimas podem ser decisivas. A possibilidade de operar por pequenas incisões reduz o trauma cirúrgico, diminui a dor no pós-operatório, acelera a recuperação e reduz o risco de complicações e infecções. O uso de simuladores para treinamento, cada vez mais comum, também contribui para maior segurança antes da atuação em pacientes reais.

Outro avanço destacado é a integração da robótica com técnicas de imagem avançadas, como tomografia e ressonância magnética. Sistemas apoiados por inteligência artificial e até impressão 3D permitem recriar virtualmente a área a ser operada, ampliando a precisão e apoiando decisões cirúrgicas em tempo real.

Expansão para múltiplas especialidades

A cirurgia robótica já está consolidada em diversas áreas da medicina, incluindo urologia, cirurgia torácica, cabeça e pescoço, ginecologia, proctologia, cirurgia geral, gastroenterologia e cardiologia. Em comum, os procedimentos apresentam menor tempo de internação, recuperação mais rápida, menos sangramento, redução de transfusões, menor risco de infecção e retorno mais precoce às atividades cotidianas.

Para especialistas, a incorporação da robótica tende a se tornar um caminho natural para instituições de saúde que buscam modernização, ganhos de produtividade e melhores resultados assistenciais. O processo, no entanto, envolve mais do que a aquisição de equipamentos, passando por planejamento econômico, criação de fluxos, capacitação das equipes, monitoramento contínuo e avaliação de resultados.

A recomendação final da Conitec reforça que a cirurgia robótica, especialmente no tratamento do câncer de próstata, deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e passa a integrar o debate sobre acesso, custo-efetividade e qualidade do cuidado no sistema público de saúde.

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