Variedades • 17:03h • 25 de setembro de 2026
Coluna: Sempre em frente
Aniversários e momentos de balanço pessoal podem revelar frustrações e ausências, mas também ajudam a reconhecer conquistas e repensar caminhos
Coluna | Ana Clara Vasques Gimenez | Foto: Âncora1
Há um tipo de cansaço que não desaparece depois de uma boa noite de sono. É o cansaço de quem sente que faz tudo, pensa em tudo, cuida de tudo e, ao final, recebe muito pouco em troca.
O problema começa na falta de reciprocidade rotineira. Quando somos sempre aqueles que procuram, ajudam, organizam, lembram, acolhem e resolvem, sustentam relações, projetos e responsabilidades quase sozinhos, enquanto esperamos, em silêncio, que alguém perceba o nosso esforço.
Essa sensação parece se ampliar em determinadas épocas, como aniversários, quando fazemos um balanço íntimo daquilo que vivemos.
Nos perguntamos: O que fizemos até aqui? Quanto conseguimos realizar? Quem permaneceu ao nosso lado? O que recebemos em troca de tudo o que oferecemos?
As respostas muitas vezes são desconfortáveis ou sequer conseguimos formulá-las. Vem uma espécie de pressão silenciosa para que a vida pareça completa. Espera-se que estejamos felizes, cercados de pessoas queridas e orgulhosos de nossas conquistas.
Por outro lado, esse período também evidencia ausências, frustrações e promessas que não se cumpriram, especialmente em comparação com a vida aparentemente perfeita dos outros, o que torna ainda mais difícil reconhecer o próprio caminho.
Nessas horas, costuma-se dizer que a solução é agradecer pelo que se tem. E, de fato, a gratidão pode transformar a maneira como olhamos para a realidade. Ela nos permite perceber o que permaneceu nossas próprias conquistas, os afetos verdadeiros, os pequenos avanços e tudo aquilo que, na pressa, deixamos de enxergar.
Ainda assim, ser grato não é algo simples de se fazer. Como humanos, olhamos para o que nos falta e, de outro modo, a gratidão não pode ser uma obrigação que nos proíba de admitir o cansaço. Agradecer não significa fingir que não há dificuldade, conformar-se ou ignorar necessidades legítimas. Podemos reconhecer o que temos e, ao mesmo tempo, lamentar o que ainda não conquistamos. Podemos agradecer por termos chegado até aqui sem romantizar o peso que carregamos.
Talvez não exista uma solução inovadora para esse sentimento e não haja uma frase inspiradora capaz de reorganizar, de uma só vez, tudo o que ficou desordenado dentro de nós. E o maior ensinamento não seja encontrar imediatamente todas as respostas, mas, continuar.
Continuar significa descansar, estabelecer limites, pedir ajuda ou deixar para trás aquilo que já não pode ser sustentado, e não desistir de si mesmo.
Nem todos os dias serão produtivos e a pausa é parte do movimento, mas é importante prosseguir, mesmo que com passos curtos. Há coragem em levantar novamente, ajustar a direção e fazer o que for possível.
Como diria Dory, no filme Procurando Nemo, da Disney: “Continue a nadar”. Apenas continuar, respeitando o próprio ritmo, até encontrar águas mais tranquilas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos