Saúde • 08:29h • 28 de maio de 2026
Combinar treino de força com cárdio não atrapalha ganho de músculo, diz estudo da USP
Conclusão é de pesquisa conduzida na USP com 19 jovens sedentários; resultados mostram, porém, redução no ganho de força
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo realizado na Universidade de São Paulo mostrou que combinar musculação com exercícios aeróbicos não prejudica o ganho de massa muscular, contrariando uma crença comum no meio fitness. Apesar disso, os pesquisadores observaram que o ganho de força foi um pouco menor entre os participantes que fizeram os dois tipos de treino juntos.
A pesquisa acompanhou voluntários sedentários, com média de 28 anos, durante 16 semanas. Os resultados foram publicados no Journal of Applied Physiology.
Segundo o professor Carlos Ugrinowitsch, da Escola de Educação Física e Esporte da USP e coautor do estudo, existia a ideia de que exercícios aeróbicos poderiam atrapalhar a hipertrofia muscular por interferirem na síntese de proteínas ligada ao crescimento dos músculos. No entanto, os resultados mostraram que o aumento de massa muscular foi equivalente nos grupos avaliados.
Anteriormente, acreditava-se que o treino aeróbico competia com a musculação porque estimulava proteínas ligadas à produção de mitocôndrias, reduzindo a síntese necessária para o crescimento muscular. Esse fenômeno ficou conhecido como “efeito de interferência”.
Os pesquisadores decidiram investigar o tema porque a combinação entre exercícios de força e atividades aeróbicas é considerada fundamental para a saúde. O treino aeróbico ajuda no aumento da frequência cardíaca, melhora a oxigenação do sangue, auxilia na queima de calorias e fortalece o coração.
Como foi feita a pesquisa
Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles realizou musculação duas vezes por semana, com exercícios como leg press e extensão de pernas.
O segundo grupo fez o mesmo treino de musculação, mas também participou de quatro sessões semanais de HIIT, treino intervalado de alta intensidade realizado em esteira.
Durante o estudo, os cientistas acompanharam as respostas do organismo por meio de biópsias musculares e da análise da síntese de novas proteínas nos músculos.
Apesar de ambos os grupos apresentarem o mesmo ganho de massa muscular, os participantes que combinaram musculação e HIIT tiveram um ganho de força um pouco menor.
Segundo Ugrinowitsch, essa diferença não está ligada ao crescimento muscular, mas a um efeito neuromuscular. De acordo com ele, o treino aeróbico pode gerar fadiga na comunicação entre cérebro e músculo, dificultando o recrutamento máximo das fibras musculares durante esforços intensos.
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