Mundo • 13:10h • 27 de julho de 2026
Como a Energisa está se preparando para o El Niño e os eventos climáticos extremos
Grupo reforça uso de meteorologia, inteligência artificial e monitoramento em tempo real para reduzir impactos no fornecimento de energia durante períodos de maior instabilidade climática
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Energisa | Foto: Divulgação
As mudanças no clima estão transformando a forma como as distribuidoras de energia planejam suas operações. Diante da expectativa de novos eventos associados ao El Niño e de fenômenos meteorológicos cada vez mais intensos, o Grupo Energisa passou a ampliar o uso de meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial e gestão de riscos para antecipar problemas, reforçar equipes e reduzir o impacto de interrupções no fornecimento de energia em suas concessões, distribuídas por 11 estados brasileiros.
A estratégia faz parte de um planejamento permanente que começa muito antes de qualquer ocorrência em campo. Além do monitoramento da rede elétrica, a companhia utiliza informações meteorológicas, históricos de ocorrências e análises de vulnerabilidade para definir ações preventivas e organizar a resposta diante de tempestades, ondas de calor, queimadas e outros eventos climáticos.
Entre 2023 e 2025, cerca de 60% das ocorrências registradas nas áreas atendidas pelo Grupo Energisa tiveram relação com descargas atmosféricas, evidenciando a influência crescente das condições climáticas sobre o sistema elétrico.
Previsão do tempo passou a orientar decisões operacionais
Embora a empresa já utilizasse informações meteorológicas em seus planos de contingência, a intensificação dos eventos extremos levou ao fortalecimento dessa integração.
Atualmente, alertas climáticos são combinados com mapas de vegetação, registros históricos de danos e análises de áreas sujeitas a ventos fortes, queimadas e alagamentos. Com esses dados, a distribuidora consegue antecipar manutenções, reposicionar equipes, reforçar estoques de materiais e ampliar a comunicação com autoridades e consumidores antes da chegada de fenômenos mais severos.
Segundo Gioreli de Sousa Filho, vice-presidente de Redes do Grupo Energisa, o clima passou a ocupar um papel central na operação do sistema elétrico. Ele afirma que antecipar cenários e monitorar riscos tornou-se fundamental para responder rapidamente a eventos capazes de afetar milhares de consumidores em poucos minutos.
Estratégias variam conforme as características de cada região
Como a Energisa atua em diferentes regiões do país, o planejamento também muda conforme os desafios climáticos locais.
No Centro-Oeste, o foco está na estiagem prolongada e nas queimadas. No litoral do Nordeste, as ações consideram os efeitos da maresia e das altas temperaturas. Na região Norte, a preocupação envolve períodos de seca, redução do nível dos rios e aumento do risco de incêndios florestais. Já no Sul, em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, onde tempestades e raios são mais frequentes, a prioridade é reduzir o tempo de interrupção do fornecimento de energia.
Para coordenar essas ações, a empresa mantém um Comitê Interfuncional formado por equipes de Operação, Manutenção, Suprimentos, Logística e Comunicação, responsável pela execução do Plano de Contingência Operacional.
Tecnologia ajuda a antecipar problemas antes das tempestades
Os Centros de Operação Integrada (COI), presentes em todas as distribuidoras do grupo, cruzam informações operacionais e meteorológicas em tempo real para identificar vulnerabilidades e organizar a atuação das equipes antes da chegada de frentes frias, temporais ou ondas de calor.
Durante períodos associados ao El Niño, a estrutura operacional recebe reforços adicionais. O plano estratégico contempla mais de 100 ações preventivas, incluindo antecipação de manutenções, substituição de equipamentos, remanejamento de cargas, reforço dos estoques e ampliação da comunicação com o poder público.
Gioreli de Sousa Filho destaca que o objetivo não é apenas restabelecer o fornecimento após um evento climático, mas reduzir seus impactos por meio da antecipação. Segundo ele, quanto maior a capacidade de prever riscos e mobilizar recursos antes das ocorrências, mais eficiente tende a ser a resposta à população.
Além disso, durante ondas de calor, a companhia intensifica o monitoramento da rede elétrica para acompanhar o aumento da demanda por energia, especialmente nos grandes centros urbanos, onde o consumo costuma crescer de forma significativa.
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