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Saúde • 14:08h • 18 de março de 2025

Como as mudanças climáticas afetam a saúde da população?

Especialistas da Rede Ebserh alertam sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde e orientam medidas preventivas

Da Redação com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1

Eventos climáticos extremos estão alterando o cenário epidemiológico brasileiro.
Eventos climáticos extremos estão alterando o cenário epidemiológico brasileiro.

Já pensou em como as mudanças climáticas afetam sua saúde? O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março e instituído pela Lei nº 12.533/2011, é uma oportunidade para refletir sobre esses impactos e as ações necessárias para enfrentá-los. Em um ano marcado pela Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 no Brasil (COP 30), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) alerta: as mudanças climáticas representam um grande desafio para a saúde pública.

Na primeira reportagem da série especial “Clima e Saúde”, especialistas de hospitais universitários federais administrados pela Ebserh explicam como essas mudanças contribuem para o aumento de doenças respiratórias e infecciosas, exigindo atenção e ação imediatas.

Aumento de doenças infecciosas

Moara Santa Bárbara, infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), destaca que eventos climáticos extremos estão alterando o cenário epidemiológico do Brasil. “Chuvas intensas seguidas de altas temperaturas criam condições ideais para a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya”, explica. O mosquito se reproduz em pequenas quantidades de água parada, e seus ovos resistem ao ressecamento entre estações chuvosas. “Os desastres naturais aumentam os criadouros devido ao acúmulo de entulhos e reservatórios de água estagnada”, completa.

Além do Aedes aegypti, outras doenças transmitidas por vetores como mosquitos e carrapatos, incluindo febre amarela, malária, leishmaniose e febre maculosa, estão se expandindo para áreas onde antes eram raras. “A expansão geográfica dessas doenças tem sido evidente nos últimos anos”, observa Moara. Ela reforça a necessidade de medidas preventivas, como eliminação de focos de água parada e limpeza adequada de áreas alagadas.

Hilton Alves Filho, infectologista e chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), alerta para os riscos de contaminação da água durante chuvas intensas e inundações. “Há aumento do risco de doenças como leptospirose, hepatite A e gastroenterites. Ações preventivas podem ser aplicadas em nível pessoal, domiciliar e comunitário”, afirma.

Garantir o acesso à água potável e boas práticas de higiene são essenciais. Fervura, filtração e o uso de hipoclorito de sódio melhoram a qualidade da água, enquanto a lavagem das mãos reduz a transmissão de infecções. Também é fundamental evitar contato com águas contaminadas para prevenir leptospirose e garantir a vacinação infantil contra hepatite A. “Educação e preparação da comunidade são essenciais para mitigar esses impactos”, conclui Hilton.

Impactos na saúde respiratória

“O aquecimento global pode causar até 250 mil mortes adicionais por ano até 2030, principalmente devido a doenças respiratórias”, alerta Emanuell Felipe Silva Lima, pneumologista do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Tocantins (HDT-UFT).

A queima de combustíveis fósseis libera poluentes que agravam condições como asma, bronquite crônica e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Além disso, o calor extremo aumenta a demanda por oxigênio, afetando pacientes com doenças respiratórias preexistentes. “O aumento da umidade favorece a proliferação de mofo e bactérias, agravando problemas respiratórios”, explica Emanuell.

Entre as recomendações para reduzir esses impactos estão:

  • Manter a vacinação atualizada, especialmente contra Covid-19 e gripe.
  • Adotar hábitos saudáveis de alimentação e prática de exercícios.
  • Hidratar-se adequadamente.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco.
  • Monitorar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

Efeitos no sistema cardiovascular

A cardiologista Alinne Katienny, do HDT-UFT, alerta que as ondas de calor aumentam os riscos de desidratação, infartos e derrames. “O calor extremo pode provocar vasodilatação, levando à queda de pressão e desmaios”, explica.

Para prevenir esses efeitos, a médica recomenda o uso de roupas leves, prática de exercícios em horários mais frescos e hidratação rigorosa. Pessoas com doenças cardiovasculares e obesidade estão entre as mais vulneráveis. Sintomas como boca seca, tremores, tontura e dor no peito podem indicar problemas relacionados ao calor.



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