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Saúde • 16:45h • 13 de dezembro de 2025

Como evitar burnout no fim do ano quando você é autista ou tem TDAH

Período festivo intensifica estímulos e exige estratégias claras de autocuidado para evitar esgotamento emocional

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Fim de ano sem burnout para autistas e adultos com TDAH: como proteger a saúde emocional em meio às festas
Fim de ano sem burnout para autistas e adultos com TDAH: como proteger a saúde emocional em meio às festas

As festas de fim de ano costumam ser associadas a luzes, reencontros e celebrações, mas para adultos autistas e pessoas com TDAH o período também pode representar um aumento expressivo de estímulos e pressões sociais. Reuniões longas, barulhos constantes, ambientes cheios e a expectativa de agir como todas as outras pessoas muitas vezes resultam em ansiedade, irritabilidade e até burnout autístico, o esgotamento emocional provocado pela sobrecarga sensorial e social.

O neurologista Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos autistas e com TDAH, explica que muitos recorrem ao masking para se adaptar ao ambiente. A prática consiste em camuflar comportamentos naturais, suprimir manias, ajustar a linguagem corporal e controlar reações que surgem espontaneamente. Segundo o especialista, o esforço contínuo cobra um preço alto. “É como usar uma máscara que precisa ficar no rosto o tempo todo. A pessoa tenta parecer tranquila, mas por dentro está gastando uma quantidade enorme de energia. Isso pode causar cansaço extremo e sintomas depressivos”, afirma o neurologista.

Em um momento do ano marcado por encontros sucessivos, expectativas familiares e ambientes sensorialmente intensos, compreender os próprios limites é essencial para atravessar dezembro com mais tranquilidade.

Como preservar energia e aproveitar as festas com mais conforto

1. Definir limites claros
Escolher quais eventos participar e por quanto tempo reduz a sobrecarga. Permanecer apenas no período confortável, sair antes ou fazer pequenas pausas são atitudes de proteção emocional.

2. Criar estratégias de autocuidado
Fones com cancelamento de ruído, técnicas de respiração, exercícios de grounding e um local silencioso para breves intervalos ajudam a regular estímulos quando o ambiente se torna intenso demais.

3. Comunicar necessidades
Nem todos compreendem o que significa mascarar comportamentos. Explicar limites de socialização, preferências sensoriais e a necessidade de pausas diminui pressões e expectativas alheias.

4. Evitar comparações
Observar como outras pessoas se comportam pode aumentar a ansiedade. Reconhecer que cada um tem seu ritmo e sua forma de aproveitar a festa traz liberdade e diminui a culpa por não corresponder ao padrão social.

5. Alternar interação e descanso
Intercalar encontros com momentos de silêncio e recuperação previne o burnout autístico. A pausa não interrompe a celebração, ela torna possível aproveitá-la.

Para o Dr. Trilico, o sentido das festas não está na performance social. “O objetivo não é ser perfeito. É se sentir bem consigo mesmo, aproveitar o que faz sentido e respeitar seu limite. Dizer que precisa de um tempo é completamente normal”, afirma.

Com planejamento e respeito ao próprio funcionamento neurológico, adultos neurodivergentes podem viver o período de festas de maneira mais leve, autêntica e emocionalmente segura, preservando energia para começar o novo ano com equilíbrio.

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