Ciência e Tecnologia • 11:27h • 03 de julho de 2026
Como funcionam os laboratórios de segurança no Brasil
Classificação por níveis de riscos orienta pesquisas e protege a saúde humana e animal e o meio ambiente
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)
A biossegurança é um dos pilares da pesquisa científica envolvendo vacinas, diagnósticos e agentes infecciosos. No Brasil, ela estabelece normas para que laboratórios trabalhem com diferentes tipos de microrganismos de forma segura, protegendo pesquisadores, a população e o meio ambiente. Para isso, os ambientes são classificados conforme o grau de risco dos agentes biológicos manipulados, definindo a infraestrutura, os equipamentos e os protocolos necessários para cada atividade.
Os agentes biológicos são classificados pelo Ministério da Saúde com base em critérios como capacidade de transmissão, potencial de causar doenças, gravidade da infecção e existência de vacinas ou tratamentos. Quanto maior o risco, mais rigorosas são as exigências de segurança, organizadas em quatro níveis de biossegurança: NB1, NB2, NB3 e NB4.
Quatro níveis de proteção
O nível NB1 é destinado a pesquisas com microrganismos que não oferecem risco à saúde de pessoas saudáveis. As atividades são realizadas em laboratórios básicos, com práticas convencionais de segurança e sem necessidade de estruturas especiais.
Nos laboratórios NB2 são manipulados agentes que podem causar doenças, mas cujo risco é considerado moderado. O acesso ao ambiente é controlado, os profissionais utilizam equipamentos de proteção individual e procedimentos com possibilidade de geração de aerossóis são realizados em cabines de segurança biológica, sob protocolos específicos.
O nível NB3 é reservado para agentes capazes de provocar doenças graves e com potencial de transmissão pelo ar. Esses laboratórios contam com acesso restrito, sistemas de ventilação controlados, filtragem do ar, descontaminação de resíduos e uso obrigatório de equipamentos de proteção mais robustos.
Já os laboratórios NB4 representam o mais alto nível de contenção biológica. Eles são destinados ao estudo de agentes extremamente perigosos, que podem causar doenças graves e, muitas vezes, não possuem vacinas ou tratamentos disponíveis. Nessas instalações, os pesquisadores utilizam trajes pressurizados, passam por rigorosos processos de descontaminação e trabalham em ambientes completamente isolados, com sistemas de ventilação, filtragem e monitoramento permanentes para impedir qualquer liberação de agentes biológicos.
Quanto maior o risco do agente estudado, mais complexas são as medidas de segurança adotadas, criando diversas camadas de proteção para os profissionais, a população e o meio ambiente.
O futuro laboratório Orion, em construção pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), será uma das principais estruturas brasileiras de nível NB4. O projeto pretende ampliar a capacidade nacional de pesquisa com patógenos de alto risco, contribuindo para o desenvolvimento de diagnósticos, vacinas, tratamentos e estratégias de vigilância epidemiológica, além de fortalecer a preparação do país para futuras emergências sanitárias.
Segundo a gerente de biossegurança do CNPEM, Tatiana Ometto, laboratórios de máxima contenção são fundamentais para ampliar o conhecimento sobre agentes infecciosos de maior risco e apoiar políticas públicas voltadas à saúde e ao enfrentamento de epidemias.
Papel da CTNBio
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é o órgão responsável por estabelecer normas e avaliar os riscos das atividades relacionadas à biossegurança no Brasil. Formada por especialistas de diversas áreas, a comissão analisa projetos que envolvem organismos geneticamente modificados e outras pesquisas de interesse estratégico.
As decisões são tomadas de forma colegiada, com base em critérios científicos e no princípio da precaução, considerando os possíveis impactos à saúde humana, à saúde animal e ao meio ambiente. Além de elaborar normas técnicas, a CTNBio acompanha as pesquisas para garantir que sejam conduzidas com segurança.
Todo o processo é transparente. As decisões e pareceres são publicados no Diário Oficial da União, e cerca de 600 instituições brasileiras integram atualmente esse sistema, apresentando regularmente informações sobre suas atividades para acompanhamento e fiscalização.
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