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Variedades • 10:55h • 14 de dezembro de 2025

Como o estresse molda a fome emocional e influencia hábitos alimentares

Pesquisas indicam relação direta entre rotina acelerada, ansiedade e impulsos alimentares, reforçando necessidade de integrar saúde mental, sono e nutrição

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria de Imprensa NR7 | Foto: Arquivo/Âncora1

Do “eu mereço” ao impulso alimentar: como o cansaço emocional afeta as escolhas
Do “eu mereço” ao impulso alimentar: como o cansaço emocional afeta as escolhas

O comer por emoção tem se tornado cada vez mais frequente na vida dos brasileiros, impulsionado por estresse, ansiedade e cansaço crônico. Estudos publicados no International Journal of Environmental Research and Public Health mostram que pessoas mais estressadas têm maior probabilidade de usar a comida como forma rápida de alívio emocional, comportamento sintetizado na expressão “eu mereço” após situações de sobrecarga. No Brasil, pesquisas da Fiocruz apontam alta prevalência de transtornos de ansiedade, cenário que contribui para o aumento desse padrão alimentar.

Mesmo entre usuários de medicamentos para controle do apetite, especialistas observam que a fome emocional diminui de forma limitada. Embora esses remédios reduzam a fome fisiológica, comportamentos guiados por emoções tendem a sofrer apenas redução transitória, já que suas causas estão ligadas ao sistema emocional, e não ao apetite comum.

Nesse contexto, profissionais da saúde reforçam a necessidade de uma abordagem integrada envolvendo saúde mental, sono, regulação do estresse e nutrição. Para a nutricionista Dra. Aline David, mestre e doutora pela USP, a fome emocional nasce da sobrecarga. Segundo ela, quando o corpo está exausto, o cérebro busca conforto imediato e a comida se torna a recompensa mais rápida, o que reforça impulsos alimentares motivados por emoções.

A prevalência dessa dinâmica é maior entre pessoas a partir dos 40 anos. Nessa faixa etária, distúrbios do sono, estresse elevado e perda de massa magra estão associados à pior saúde metabólica e maior risco de inflamação. Estudos publicados no periódico Frontiers in Nutrition identificam que a sarcopenia, caracterizada pela perda de força e massa muscular, é um fator de risco independente para distúrbios do sono em adultos acima dos 40 anos, grupo mais vulnerável a impulsos alimentares ligados ao cansaço emocional.

Para minimizar esses padrões, especialistas recomendam ações complementares relacionadas ao estilo de vida. Pesquisas da USP mostram que qualquer nível de atividade física, mesmo leve, contribui para reduzir sintomas emocionais e controlar impulsos alimentares vinculados ao estresse. Paralelamente, substâncias como ômega-3, magnésio e vitamina D estão sendo estudadas por sua atuação na regulação do humor, melhora do sono e redução da ansiedade leve, elementos diretamente ligados aos gatilhos de comer por emoção.

Entre as estratégias práticas recomendadas para reduzir episódios desse tipo estão pausas curtas para respiração, caminhadas breves que ajudam a diminuir o cortisol, ingestão adequada de água, adoção de recompensas não alimentares e inclusão de nutrientes que apoiem humor e sono. A ideia é criar espaço entre o impulso emocional e a escolha alimentar, fortalecendo a consciência sobre o próprio comportamento.

Para os especialistas, compreender a relação entre rotina acelerada, estresse e escolhas alimentares é fundamental para reconstruir hábitos com mais equilíbrio. O comer por emoção, mais do que um padrão isolado, reflete o ritmo intenso da vida atual e exige estratégias que conectem saúde emocional, autocuidado e uma relação mais leve com a comida.

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