Responsabilidade Social • 20:22h • 12 de março de 2026
Como orientar jovens sobre namoro saudável e prevenção de relações abusivas nos dias atuais
Especialista orienta jovens e famílias sobre como construir relações saudáveis e reconhecer comportamentos que podem indicar início de vínculos abusivos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Key Press | Foto: Arquivo/Âncora1
A adolescência costuma ser marcada pelas primeiras experiências amorosas, momento em que muitos jovens iniciam seus primeiros namoros e passam a lidar com emoções intensas, descobertas pessoais e desafios nas relações afetivas. Nesse processo, temas como respeito, limites e autonomia emocional se tornam fundamentais para a construção de vínculos saudáveis.
De acordo com o psicólogo Filipe Colombini, o namoro nessa fase da vida faz parte do amadurecimento emocional e social. As experiências afetivas permitem que o adolescente compreenda melhor suas próprias emoções, aprenda a lidar com diferenças e desenvolva habilidades importantes para relacionamentos futuros.
Segundo o especialista, compreender e estabelecer limites é um dos elementos centrais para relações equilibradas. O respeito às individualidades, o diálogo e a capacidade de reconhecer quando algo causa desconforto ajudam a evitar dinâmicas prejudiciais.
Nesse cenário, pais e responsáveis também têm papel relevante. Incentivar a comunicação aberta, fortalecer a autoestima dos jovens e orientar sobre comportamentos que ultrapassam o cuidado e entram no campo do controle são atitudes que ajudam a prevenir relações abusivas.
O direito de dizer não
Entre adolescentes, a dificuldade de impor limites é comum. Muitos jovens evitam expressar desconforto por receio de desagradar o parceiro ou até de perder o relacionamento. Para o psicólogo, é importante que o adolescente compreenda que recusar algo não significa rejeitar a outra pessoa. O direito de dizer “não” faz parte da construção da autonomia emocional e do respeito dentro da relação.
Quando o jovem aprende a expressar seus limites de forma clara, desenvolve competências importantes para a vida adulta, como comunicação assertiva, autoconfiança e responsabilidade afetiva. Nesse processo, o apoio de pais, responsáveis e educadores pode ajudar o adolescente a entender que estabelecer limites é legítimo e necessário em qualquer relação.
Quando o ciúme ultrapassa o cuidado
Sentir ciúme pode acontecer em relacionamentos, mas o problema surge quando esse sentimento se transforma em vigilância constante, cobranças frequentes ou tentativas de limitar amizades e atividades. Segundo Colombini, comportamentos como exigir acesso a redes sociais, controlar horários ou questionar constantemente onde o parceiro está podem indicar sinais de controle.
Essas atitudes criam um ambiente de insegurança e podem evoluir para relações abusivas. Por isso, reconhecer esses sinais desde o início é considerado essencial para interromper padrões prejudiciais. Relacionamentos saudáveis, segundo especialistas, preservam a individualidade de cada pessoa, incluindo amizades, interesses e espaços pessoais.
O término também faz parte do aprendizado
Encerrar um relacionamento na adolescência pode ser uma experiência emocional intensa. Tristeza, frustração e confusão são sentimentos comuns nesse momento, especialmente quando se trata da primeira vivência afetiva mais profunda. Especialistas destacam que o término também faz parte do processo de amadurecimento. Respeitar os próprios sentimentos, manter uma comunicação respeitosa e evitar atitudes impulsivas ajudam a tornar essa fase menos dolorosa.
Conversar com amigos, familiares ou buscar apoio profissional pode contribuir para elaborar melhor a experiência. Em alguns casos, reduzir temporariamente o contato nas redes sociais ou com o ex-parceiro também ajuda na recuperação emocional.
Para o psicólogo, o namoro na adolescência funciona como um espaço de aprendizado emocional. Quando jovens compreendem que amor não deve estar associado a controle e que limites são parte do respeito, criam bases mais sólidas para relações futuras. O diálogo aberto dentro da família também é considerado um dos fatores mais importantes para prevenir relacionamentos abusivos e fortalecer a autonomia emocional dos adolescentes.
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