Ciência e Tecnologia • 14:27h • 16 de abril de 2026
Como um satélite brasileiro chega à órbita? A ciência explica
Conheça as etapas desde a definição da missão de um satélite, passando pela sua construção, até ele chegar ao espaço
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)
Os satélites revolucionaram a capacidade de observar, comunicar e compreender o planeta. Hoje, são fundamentais para previsão do tempo, monitoramento ambiental, navegação, telecomunicações e produção de dados científicos, além de apoiar decisões estratégicas e atividades econômicas, como a agricultura. No entanto, o processo para colocá-los em órbita começa muito antes do lançamento.
No Brasil, o programa espacial é coordenado pela Agência Espacial Brasileira, enquanto a execução técnica fica a cargo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, ambos vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Os projetos surgem a partir de demandas específicas de uso, com definição clara dos objetivos e do desempenho esperado. Em seguida, são avaliados quanto à viabilidade técnica, alinhamento com o programa espacial e disponibilidade de recursos. A maioria das missões brasileiras tem origem em instituições científicas nacionais.
Depois da construção do satélite, inicia-se a etapa de lançamento. Como o Brasil ainda utiliza lançadores internacionais, a escolha do foguete depende do tipo de órbita desejada, que pode ser de baixa altitude ou geoestacionária. Paralelamente, o país avança no desenvolvimento de tecnologias próprias, como o microlançador brasileiro, e na ampliação da infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, considerado estratégico por sua localização próxima à linha do Equador.
Antes do lançamento, o satélite é transportado com segurança até a base e integrado ao foguete. A decolagem é a fase mais crítica, quando o veículo fornece a velocidade necessária para que o satélite atinja a órbita correta. Uma vez liberado, ele passa a se manter ao redor da Terra devido ao equilíbrio entre a força da gravidade e a velocidade adquirida.
Na prática, o satélite permanece em queda constante ao redor do planeta, sem atingir a superfície. Dependendo da missão, ele pode percorrer diferentes regiões da Terra ou permanecer fixo em relação a um ponto, como ocorre com satélites de telecomunicações. Em órbitas mais baixas, há perda gradual de energia por atrito com a atmosfera, o que pode levar à reentrada, exigindo o uso de propulsores para correções de trajetória.
Após entrar em operação, o satélite é monitorado continuamente por estações em solo, que acompanham sua trajetória e recebem os dados coletados. Entre os principais desafios estão falhas no lançamento e o risco de colisões com detritos espaciais, o que pode exigir manobras para evitar impactos.
Os dados gerados são utilizados em diversas áreas, como monitoramento ambiental, previsão do tempo e pesquisas científicas. Esse processo, que pode levar de dois a três anos ou mais, resulta em informações estratégicas para políticas públicas e gestão do território.
Nos próximos anos, a tendência é ampliar a produção de satélites, especialmente nas áreas de observação da Terra e telecomunicações, com novos projetos em desenvolvimento para fortalecer a capacidade tecnológica do país.
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