Educação • 16:48h • 01 de fevereiro de 2026
Como usar o ChatGPT sem cair no plágio e o que muda na educação com o uso da IA
Ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina de 70% dos estudantes brasileiros e levantam debates sobre ética, autoria e aprendizagem
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MakeBuzz Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O uso de inteligência artificial generativa já é uma realidade no cotidiano educacional brasileiro. Segundo dados da TIC Educação, sete em cada dez alunos utilizam ferramentas de IA para pesquisas escolares. A popularização de plataformas como o ChatGPT ampliou o acesso à informação e agilizou tarefas acadêmicas, mas também trouxe novos desafios relacionados ao plágio, à autoria e à responsabilidade intelectual.
Tradicionalmente, o plágio sempre foi um tema sensível no ambiente escolar e universitário, com ferramentas específicas voltadas à identificação de cópias indevidas. Com o avanço acelerado da IA, o debate ganhou novas camadas. Atividades que antes exigiam horas de leitura, organização de ideias e escrita passaram a ser concluídas em poucos minutos, o que levanta uma questão central para educadores e estudantes: utilizar inteligência artificial significa, necessariamente, cometer plágio.
Para Michel Arthaud, sócio e professor de Química da Plataforma Professor Ferretto, a resposta está menos na tecnologia e mais na forma como ela é utilizada. Segundo ele, a IA deve funcionar como apoio ao aprendizado, auxiliando na compreensão dos conteúdos e na organização dos estudos, e não como atalho para substituir o esforço intelectual do aluno.
A discussão também envolve a compreensão de como ocorre o aprendizado. Para Conrado Schlochauer, autor e pesquisador na área educacional, não existem soluções imediatas ou automáticas para o desenvolvimento cognitivo. Ele explica que o aprendizado se consolida a partir da combinação entre estímulos, métodos, prática e feedback, elementos que exigem participação ativa do estudante.
IA como apoio, não substituição
Sob essa perspectiva, Michel Arthaud destaca que a inteligência artificial tem potencial para personalizar o ensino, ajustando ritmo, linguagem e abordagem conforme o desempenho do aluno. No entanto, ele alerta que o equilíbrio entre tecnologia e mediação humana ainda está em construção. Para o professor, a IA deve atuar como assistente no processo educacional, jamais substituindo o pensamento crítico ou o estudo ativo do estudante.
Entre as boas práticas apontadas para o uso responsável da IA nos estudos está a utilização das ferramentas para revisão e esclarecimento de conteúdos, especialmente quando um conceito não ficou claro em sala de aula. A tecnologia pode oferecer explicações alternativas e complementar o aprendizado, desde que o aluno continue sendo protagonista do processo.
Outra orientação é recorrer à IA para ajudar na estruturação do pensamento. Em situações de bloqueio criativo, a ferramenta pode sugerir perguntas, tópicos ou caminhos de raciocínio, sem assumir a escrita integral de um texto. Segundo o especialista, esse uso estimula a construção de argumentos próprios e evita a dependência de respostas prontas.
A simulação de debates também aparece como recurso pedagógico. Ao solicitar que a IA apresente pontos de vista contrários, o estudante é levado a formular contra-argumentos, fortalecendo a capacidade analítica. Além disso, após a conclusão de um trabalho, a ferramenta pode ser utilizada para revisão gramatical, clareza e coerência textual, ajudando o aluno a desenvolver um olhar mais crítico sobre sua própria produção.
Limites éticos e pensamento crítico
Conrado Schlochauer chama atenção para o papel do repertório que orienta o uso da inteligência artificial. Segundo ele, a IA não corrige conceitos equivocados de forma autônoma, apenas reproduz informações disponíveis. Quando guiada por bases científicas, pode ser aliada do aprendizado. Quando orientada por mitos ou crenças equivocadas, tende a reforçar problemas já existentes.
Para Michel Arthaud, o risco maior surge quando o estudante transfere à IA a responsabilidade de pensar e estudar. Nesse cenário, habilidades essenciais como análise, síntese e argumentação deixam de ser desenvolvidas. O uso consciente, por outro lado, transforma a tecnologia em instrumento de reflexão e aprofundamento, preservando a autoria e fortalecendo o aprendizado.
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