Saúde • 11:03h • 26 de junho de 2026
Composto do alho pode reforçar quimioterapia contra câncer colorretal, diz estudo da USP
Pesquisa da Universidade de São Paulo indica que substância encontrada no alho potencializa a ação de um dos principais medicamentos usados no tratamento do câncer colorretal, ampliando a destruição de células tumorais e abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um composto natural presente no alho pode aumentar a eficácia de um dos quimioterápicos mais utilizados no tratamento do câncer colorretal. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), que investigam a relação entre alimentação, genética e desenvolvimento de doenças.
A pesquisa avaliou o potencial do dissulfeto de dialila, substância bioativa encontrada no alho, em associação ao 5-fluorouracilo, medicamento amplamente empregado no combate ao câncer colorretal. Considerado o segundo tipo de câncer mais diagnosticado e uma das principais causas de mortes pela doença no mundo, o tumor costuma ser tratado com cirurgia e quimioterapia, inclusive em casos avançados.
O dissulfeto de dialila pertence à categoria dos nutracêuticos, compostos naturais que apresentam propriedades biológicas benéficas ao organismo. Além de ser de baixo custo e fácil acesso, a substância já demonstrou efeitos antitumorais em estudos anteriores, incluindo a inibição do crescimento de células cancerígenas, estímulo à morte celular programada, redução da formação de vasos sanguíneos que alimentam tumores e diminuição de efeitos colaterais dos tratamentos.
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o estudo foi publicado na revista científica Nutrients. Durante a pesquisa, os cientistas analisaram os efeitos do composto em células de câncer colorretal e em células saudáveis. Os experimentos compararam a ação do quimioterápico e do composto derivado do alho, tanto de forma isolada quanto combinada.
Após 24 horas de exposição aos tratamentos, os pesquisadores verificaram que a combinação das substâncias aumentou a capacidade de destruir células tumorais sem comprometer significativamente as células saudáveis.
Segundo a coordenadora do estudo, a associação entre o composto do alho e o quimioterápico apresentou efeito sinérgico, tornando o tratamento mais eficiente contra as células cancerígenas analisadas. Os resultados indicam que o nutracêutico pode se tornar um importante aliado em terapias complementares à quimioterapia.
Resultados semelhantes em câncer de fígado
A equipe da USP já havia observado efeitos promissores do dissulfeto de dialila em pesquisas anteriores envolvendo câncer de fígado. Em um estudo publicado na revista Pharmaceutics, o composto foi testado em células de carcinoma hepatocelular, a forma mais comum da doença.
Os pesquisadores verificaram que a substância foi capaz de induzir a morte das células tumorais, reduzir sua capacidade de migração e alterar mecanismos biológicos que favorecem a sobrevivência do câncer.
Quando utilizada em conjunto com o sorafenibe, medicamento empregado no tratamento do câncer de fígado, a substância também apresentou ação potencializada. Os resultados reforçam a possibilidade de utilizar compostos bioativos de origem vegetal como complemento aos tratamentos convencionais, contribuindo para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas contra diferentes tipos de câncer.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos